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Situado a Sul de Jerusalém, no Vale de Hinom, existe uma área conhecida como “Campo do Oleiro” ou “Campo de Sangue”, antes destinada a enterrar os estrangeiros, os estranhos.

 

Os Judeus usavam a expressão ACÉLDAMA, campo de sangue, para simbolizar um terreno comprado com o salário da injustiça, a preço de sangue.

 

Conta-nos o Evangelho de Mateus, no Capítulo 27, versículos de 1 a 10, que Judas Iscariotes após haver traído a Jesus Cristo por trinta moedas, arrependeu-se e foi ao templo devolvê-las aos sacerdotes e anciãos, reconhecendo serem fruto de sangue inocente.

 

Recolhendo as moedas lançadas por Judas, os sacerdotes e anciãos consideraram-nas impuras deixando de recebê-las como oferta Eram preço de sangue. Deliberaram, então, comprar com elas o campo do oleiro, para servir de cemitério aos estrangeiros.

 

Constata-se que as moedas de Judas não serviram para finalidades espirituais. Estabeleciam, de fato, um confronto com a mensagem de Jesus Cristo, de abertura das portas da vida eterna para a humanidade.

 

É certo que Judas, naquele momento histórico, fez opção pelas moedas em detrimento da vida espiritual e esta sua conduta costuma ser execrada até os presentes dias.

 

Nós que nos dias modernos discordamos da atitude de Judas e até mesmo o julgamos impiedosamente, podemos nos indagar: - De nossa parte, qual tem sido o nosso comportamento diante das coisas espirituais e das coisas da matéria? – Temos vivenciado convenientemente os valores espirituais ou, a exemplo de Judas, estamos a fazer opção pelos bens materiais?

 

Constatamos que a sociedade moderna, tipificada como essencialmente de consumo, nos impulsiona para dois tipos de comportamento :

 

a) Para o hedonismo, doutrina que considera o prazer como finalidade básica; daí assumindo importância a gastronomia, o sexo, as diversões, a televisão, carros, imóveis e tantos outros bens que, falsamente, deixa a impressão de que a felicidade neles possa residir;

b) Para o utilitarismo, que consiste na prática de atividades profissionais e de negócios com o objetivo de ganhar dinheiro com o fito de, em última análise, satisfazer aos reclames do prazer.

 

Efetivamente não há, na vida turbulenta de hoje, um tempo relevante e significativo reservado para o nosso aprimoramento espiritual, quando deve este ser a razão primordial da nossa reencarnação, neste mundo de expiações e provas.

 

Aqui, é oportuna a seguinte reflexão: - Quando estamos vivendo segundo os padrões ditados modernamente pelo hedonismo e pelo utilitarismo, porventura:

 

Não estamos tendo um comportamento semelhante ao de Judas Iscariotes, não evidentemente de vender o Mestre Nazareno por trinta moedas mas de afastamento dos princípios do Evangelho de Jesus Cristo, que nos orienta no sentido da Vida Espiritual ?

 

Não estaremos optando por dar ao todo da nossa existência uma dimensão meramente terrena, aplicando o nosso tempo na compra de um lote no “Campo do Oleiro”?

 

A opção de viver segundo o hedonismo e o utilitarismo fatalmente nos transformará em “estrangeiros” e “estranhos” no Mundo Espiritual e, de conseqüência, haveremos de permanecer, pelo menos enquanto assim vivermos, jungidos e sepultados no “Campo de Sangue”.

 

Luciano Fonsêca.