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Transição de Luz e sombras

(Momento Apocalíptico)

Edil Reis

(O Fenômeno do Apocalipse – Estudo em Transição)

Primeira Aproximação

 

Estudando a “Obra Ubaldiana de Sua Voz” compreendi que o Apocalipse inicia-se na posição central do Ciclo de Queda e Salvação, no ponto de cruzamento e de encontro das linhas ou faces laterais dos dois triângulos invertidos, região ou local em que se tocam também com os extremos direito e esquerdo das laterais da linha horizontal da Cruz da Redenção pela Imanência Divina, no “Coração de Deus pregado à Cruz” e, dali, prossegue até que o Anti-Sistema seja reabsorvido no Sistema: nesta posição ou momento final da Divina Epopéia, o Fenômeno da Paixão do Cristo de Deus, quando o Arcanjo Divino e a Imanência Divina tornam-se Um só e O mesmo Ser, extrapola a condição do singular para atingir e alcançar a condição Universal, como Fenômeno; e o Apocalipse, no seu terceiro momento adquire as características Cósmicas de Universalidade, porque se torna o Drama Cósmico de todo o Universo.

Na simbologia ubaldiana, o Apocalipse está, desse modo, representado no ponto do cruzamento dos dois triângulos invertidos: a partir daquele instante-posição a influência do Sistema torna-se definitiva e amplamente dominante sobre as forças do Anti-Sistema, tanto para os casos particulares e singulares quanto para os casos universais.

Atingido o ápice ou o cume, deixarão de existir o espaço e o tempo e as memórias espaço-temporais de “eu sou”, no reencontro definitivo de Deus Imanente com Deus Transcendente em Um só e O mesmo Deus Absoluto – o Todo, o Tudo, ou o Sistema de “Eu Sou Um e O mesmo com Todos e com Tudo”.

Nessa condição do Sistema, a individualidade humana-espiritual transitória inferior e ególatra de “eu sou um, comigo mesmo” transforma-se na coletividade Crística-Divina definitiva superior e Amorosa de “nós somos Um, com Deus”!

Segunda Aproximação

 

O drama apocalíptico identifica-se ao momento de mudança radical na trajetória parabólica do deslocamento na estrutura espaço-temporal-consciencial do Anjo decaído no Anti-Sistema, precisamente no ponto de maior influência do domínio material, quando se iniciaria a parte descendente da curva e singularmente por intervenção da vontade e do esforço, este ser decaído, vencendo-se a si mesmo em sua mais fraca expressão vibratória, porque submetido às condições mais adversas a uma reação positiva, modifica a tendência involutiva descendente, inflexionando e invertendo o movimento, elevando-o pelo efeito de ricochete na direção oposta da ascensão definitivamente progressiva do domínio espiritual.

 

Corresponde o Apocalipse, portanto, em nosso Universo, ao momento sublime em que se estabelecerá a supremacia definitiva do Espírito sobre a matéria. É quando então o Evangelho se tornará legitimado nos pensamentos, nas palavras e nas ações humanas, inaugurando a Nova Era do Reino de Deus para a Humanidade Renovada e Redimida, sob a égide do Cristo.

 

No caso particular de nossa Terra o Apocalipse representa o momento decisivo para a inauguração da Nova Civilização do Terceiro Milênio, sob a vigilante condução de Nosso Senhor Jesus-Cristo, designado por Deus para levar-nos de volta a Ele na Criação Originária do Sistema.

 

Terceira Aproximação

 

Estamos vivendo atualmente o período das transições que medeiam a passagem de um mundo de provas e expiações para um mundo de regeneração. E as profecias tomam uma importância que não pode ser relegada aos porões da indiferença, porque não foram em vão as suas previsões, pelo fato mesmo de terem elas sido trazidas à Humanidade por meio dos seus representantes mais veneráveis. As dificuldades para receberem dos humanos a credibilidade de nós merecedoras residem mais nos desvios causados pelos falsos profetas, na interpretação tendenciosa dos adivinhos descomprometidos com a Verdade, presentes em todas as épocas, e na linguagem velada em que elas traduzem o seu pensamento, exigindo os “olhos de ver” e os “ouvidos de ouvir” da intuição, aos que lhes buscam entender o verdadeiro significado.

 

Para a nossa época presente, as profecias do Apocalipse de João* adquirem uma importância toda especial por ser, conforme os ensinamentos de Pietro Ubaldi1, a descrição da saga humana para implantar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo no planeta Terra.

 

Para Ubaldi1, os selos, as trombetas, os prodígios, as taças da ira de Deus, referem-se aos mesmos acontecimentos, vistos de quatro pontos referenciais distintos, exprimindo “o desenrolar-se da ação da grande batalha”, através de sete momentos decisivos. O ponto ou instante central desses acontecimentos reporta-se ao “desencadear-se da grande tempestade”, que se seguirá após uma “breve pausa”, dentro do sétimo momento, identificada por Ubaldi com a “nossa hora presente”, que “é um momento de espera em que as forças contrárias se preparam, medem-se, tomam o impulso para lançar-se uma contra a outra”. A este sétimo e último momento reservam-se as grandes provações.

 

Encontramos respaldo a essas considerações também em Emmanuel2, pois ensina o lúcido Espírito que “é chegado o tempo de um reajustamento de todos os valores humanos. Se as dolorosas expiações coletivas preludiam a época dos últimos ‘ais’ do Apocalipse”, é porque já “são chegados os tempos em que as forças do mal serão compelidas a abandonar as suas derradeiras posições de domínio nos ambientes terrestres”, onde“ditadores, exércitos, hegemonias econômicas, massas versáteis e inconscientes, guerras inglórias, organizações seculares, passarão com a vertigem de um pesadelo”, porquanto “o século que passa efetuará a divisão das ovelhas do imenso rebanho”.

 

“Uma tempestade de amarguras varrerá toda a Terra”.

 

“Vive-se agora, na Terra, um crepúsculo, ao qual sucederá profunda noite; e ao século XX compete a missão do desfecho desses acontecimentos espantosos”. Estas palavras de Emmanuel foram pronunciadas em 1938, e além de proféticas são também de estímulo:

 

“Todos somos dos chamados ao grande labor e o nosso mais sublime dever é responder aos apelos do Escolhido”.

 

O Espírito Áureo3 refere-se igualmente à “grande tempestade”, considerando que:

 

“Mesmo depois que passar a grande tempestade, o coração augusto do Cristo sangrará de dor, porque não será sem uma profunda e divina melancolia que verá partir, para rudes degredos reeducativos, os afilhados ingratos e rebeldes que não lhe quiseram aceitar a doce proteção ...”

 

Permanece a indagação sobre o que seja verdadeiramente a grande tempestade, ou a grande tribulação. Será uma atividade que ficará apenas no domínio dos sentimentos e da moral? Ou alcançará aspectos físicos, com repercussão nos fenômenos naturais, envolvendo as forças elementares?

 

Para aprofundarmos nesse entendimento recorreremos ao próprio Divino Mestre Jesus, no Evangelho Segundo Mateus4. Ali, o Nosso Divino Mestre nos faz uma profecia, atendendo ao pedido dos discípulos, sobre a consumação do século, isto é, sobre a época de transição deste ciclo evolutivo – a nossa época atual.

 

Jesus fala, então, sobre o princípio das dores e sobre a grande tribulação. Ao princípio das dores identifica o ouvir falar de guerras e rumores de guerras, esclarecendo que esses fatos não serão, ainda, o fim; também será a época dos falsos profetas, da iniqüidade, e será quando o Evangelho ficará conhecido em todo o mundo, quando após isso virá o fim, com a grande tribulação, que Jesus caracteriza como sendo algo que impedirá as pessoas de se locomoverem de um lugar para o outro, porquanto “quem estiver sobre o eirado não desça a tirar de casa alguma coisa, e quem estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa”. E significativamente adverte as grávidas e as que amamentarem “naqueles dias”. Esclarece, ainda, o Senhor, que “nesse tempo haverá grande tribulação, como não tem havido desde o princípio do mundo até agora, e nem haverá jamais”. É bastante significativa a frase do Divino Mestre, quando revela que “não tivessem aqueles dias sido abreviados, e ninguém se salvaria; mas por causa dos escolhidos tais dias serão abreviados”.

 

É enigmática a frase: “Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres”.

 

Um conflito nuclear pode dar realidade às previsões do Divino Mestre: as pessoas serão colhidas de surpresa; a radiação, principalmente devida à ingestão ou à inalação dos isótopos do iodo, particularmente o I131, contaminará o leite das mães e conseqüentemente atuará sobre a tireóide das crianças, sendo também conhecidos os efeitos teratogênicos da radioatividade sobre os fetos. E, realmente, uma guerra nuclear pode ser capaz de destruir toda a Vida no planeta, a não ser que haja uma ação capaz de abreviá-la.

 

Podemos tentar um entendimento para a frase enigmática, ajustando-a perfeitamente ao contexto da possibilidade em apreço, se considerarmos que a exposição da matéria orgânica à radioatividade, em doses elevadas, causará a sua decomposição, à semelhança do que fazem os abutres com os cadáveres.

 

No Apocalipse de João há a referência a quatro Anjos, postados nos quatro pontos cardeais, com a incumbência de conter os ventos, para que não soprassem sobre a terra, sobre o mar ou sobre as vegetações, por um determinado tempo, relacionado à identificação dos servos de Deus, à época da grande tribulação. Sobre estes, dirá um dos anciãos a João, na sua visão profética, “não cairá o sol, nem ardor algum”. O mesmo ancião dissera também a João que os servos de Deus, chegados da grande tribulação, trajavam-se de branco, e eles “lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro”.

 

Os ventos podem espalhar os elementos radioativos, e, conseqüentemente, a radiação nuclear, por grandes distâncias, levando os seus efeitos nocivos mesmo àqueles não diretamente expostos “à queda do sol”, isto é, à explosão nuclear, nem ao “ardor” causado pelas queimaduras das altas temperaturas dela decorrentes. Entretanto, claro está que mesmo “os servos de Deus” sofrerão as conseqüências da grande tribulação, pois os ventos serão contidos somente até que eles sejam “relacionados em suas frontes”, isto é, até que eles se definam como verdadeiros servos de Deus, diante da grande dor a que eles e os seus irmãos estarão sujeitos.

 

O mesmo ancião refere-se aos padecimentos da fome e da sede, que não mais atingirá aos advindos da grande tribulação, trajando vestes alvinitentes. E, realmente, após um grande conflito nuclear as águas potáveis e os alimentos serão previsivelmente raros. O Espírito Áureo diz textualmente que após a grande tempestade “a subsistência exigirá esforços titânicos, na agricultura dignificada e no trato exaustivo das águas despoluídas”.

 

Pietro Ubaldi considera que “um nervosismo dominante revela-nos que o instinto sente vagamente o aproximar-se da tremenda reação da Lei. Ninguém mais tem fé no amanhã, tão prenhe de ameaças é o presente. Com o 7º selo iniciar-se-á, com efeito, a série dos castigos, porque estamos próximos da hora em que Deus, já tendo esperado bastante, terá esgotado os oferecimentos de salvação e terá de intervir para que volte a ordem e a justiça seja feita”.

 

Retornando ao texto evangélico do Divino Mestre tomamos o conhecimento de que “logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento e os poderes dos céus serão abalados”. Sabemos, conforme os conhecimentos científicos atuais, que após um grande conflito nuclear é teoricamente possível a ocorrência do denominado “inverno nuclear”, com a luminosidade e o calor do Sol bastante reduzidos, e nesta situação a lua e as estrelas também não serão visíveis, como se as potências dos céus estivessem abaladas, como se as estrelas houvessem caído do firmamento.

 

O Apocalipse de João igualmente refere-se a “um grande terremoto”, quando “o sol se tornará negro como saco de crina e a lua toda como sangue, as estrelas do céu cairão pela terra, como a figueira, quando abalada por vento forte, deixa cair os seus figos verdes, e o céu recolher-se-á como um pergaminho quando se enrola. Então todos os montes e ilhas serão movidos dos seus lugares”. E ainda Pedro, nos “Atos dos Apóstolos”, diz textualmente: “O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor”.

 

Após esta análise singela, concluímos, com Ubaldi, que a espada de Dâmocles encontra-se sobre a Humanidade, sustentada por um fio de cabelo, apenas. “Se o fio arrebenta, é a guerra”.

 

Consideremos, no entanto, que as Profecias referem-se a acontecimentos prováveis; não são fatalidades irremediáveis. Os humanos criaram a espada de Dâmocles. A grande tempestade, a grande tribulação, se vier, será obra humana e não de Deus. Se a Humanidade abandonar definitivamente os caminhos da guerra e desejar seguir os ensinamentos do meigo nazareno, viverá a paz evangélica e fará a transição sem mais a necessidade das dores previstas. Para este desiderato é que a Doutrina Consoladora dos Espíritos está conosco nestes momentos decisivos. E maior ainda tem sido a Misericórdia do Pai nestes dias em que tantas consciências clamam por Sua Justiça.

 

O limite da Lei, porém, exige a separação do joio e do trigo, dos justos e dos injustos, dos maus e dos humanos que se dedicam ao bem, no planeta Terra, que precisa passar ao estágio ou ciclo evolutivo de regeneração da sua Humanidade. Mesmo não desejando a paz, e sendo por isso necessária a dor da grande tribulação, o momento atual é de sublime esperança, pois ao futuro, neste novo milênio, as profecias são unânimes em afirmar a definitiva soberania do bem, do amor fraterno, e o reinado da paz imperecível:

 

“Ora, quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima.” ... “quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o reino de Deus está perto”. (Jesus)5

 

“Sim, porque depois da treva surgirá uma nova aurora. Luzes consoladoras envolverão todo o orbe regenerado no batismo do sofrimento”. (Emmanuel)2

 

“Nesse mundo renovado, a paz inalterável instituirá um progresso sem temores e uma civilização sem maldade,” ... “Reinarão na Terra a Ordem e a Paz”. ...“O Amor Universal será Estatuto Divino”. ... “A Terra pertencerá aos mansos de coração ...” (Áureo)3

 

“E vi um novo céu, e uma nova terra”. (João)*

 

. . .

 

Outras profecias existem sobre os nossos tempos, como a de Daniel, que por sinal, em alguns trechos, é muito semelhante ao Apocalipse de João. As profecias de Nostradamus também trazem referências ao nosso tempo. E há estudiosos da atualidade que identificam a época presente como um período de transição ou de mutação especialmente significativo, como é apresentado, por exemplo, pelo físico Fritjof Capra em seu livro “O Ponto de Mutação”.

 

Talvez se relacionem também aos nossos dias atuais as palavras de Jesus, anotadas por Lucas6: “Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é chegada a sua desolação. Então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes; os que estiverem no meio da cidade, saiam; e os que nos campos não entrem nela”. “E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem”.

 

Os judeus já cumpriram o tempo do seu cativeiro e reconquistaram o estado de Israel, porém, tal como antes, permanecem ainda orgulhosos de sua raça, e, realmente, o que vemos hoje, é mesmo a velha Jerusalém sitiada e cercada de exércitos, em uma sinistra ameaça à paz em nosso mundo.

 

Por último, anotamos as palavras esclarecedoras de Nosso Senhor Jesus-Cristo, no Evangelho Segundo Marcos7: “Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai”. ... “Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o senhor da casa; se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã”. ... “Para que, vindo de improviso, não vos ache dormindo”.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

  1. Profecias, de Pietro Ubaldi. 1982. Editora Monismo Ltda. 3ª edição.

  2. A Caminho da Luz, de Emmanuel/Francisco Cândido Xavier, 1982. Editora FEB. 11ª edição.

  3. Universo e Vida, de Áureo/Hernani T. Sant’anna, 1980. Editora FEB. 1ª edição.

  4. O Evangelho Segundo Mateus, Capítulo 24, versículos 15 a 29. in: A BÍBLIA.

  5. O Evangelho Segundo Lucas, Capítulo 21, versículos 28 e 31. in: A BÍBLIA.

  6. O Evangelho Segundo Lucas, Capítulo 21, versículos 20 e 24. in: A BÍBLIA.

  7. O Evangelho Segundo Marcos, Capítulo 13, versículos 32, 35 e 36. in: A BÍBLIA.

 

* O Apocalipse de João. In: A BÍBLIA.

 

Quarta Aproximação

 

A “Obra Ubaldiana de Sua Voz” é dádiva dos Céus a Terra, e o seu objetivo é a regeneração de nossa Humanidade; é o roteiro seguro para efetivarmos a Nova Civilização do Terceiro Milênio. Veio somar-se à Doutrina Espírita para a realização definitiva do desiderato pela implantação do Evangelho de Nosso Senhor Jesus-Cristo em nossas Vidas. Não é, portanto, por acaso que Pietro Ubaldi e Francisco Cândido Xavier iniciam a Vida pública ao mesmo tempo, ao final de 1931, e seguem realizando em paralelo as suas tarefas benditas, como duas colunas ou dois baluartes sobre os quais se depositaram as esperanças do Alto para a unificação dos humanos perdidos da Verdade pelos caminhos tortuosos das interpretações pessoais, em todas as Grandes Áreas do Conhecimento. Para que haja “um só rebanho e um só Pastor”.

 

Não é também por acaso que eles surgem no epicentro da transição de Luz e sombras do momento apocalíptico que estamos vivendo. O motivo é claro: são as duas grandes e últimas luzes para iluminar a noite de sombras até o alvorecer do novo dia!

 

O Caminho para a Verdadeira Vida o Divino Mestre já nos desvendou no Seu Evangelho e na Sua Paixão, tendo sido a Sua Mensagem divulgada e exemplificada pelos seus discípulos ao longo dos séculos por dois mil anos; a Consoladora Doutrina Espírita já se encontra codificada com Kardec e desdobrada em seus três aspectos pelas contribuições de Roustaing, Denis e Delanne & Flammarion; e Ubaldi & Chico já as iluminaram na queima e consumo do azeite puro de suas Vidas e na realização de suas obras. É chegado o momento do nosso testemunho; eis que o Senhor nos bate à porta do coração, enquanto lá fora as nuvens prenunciam a tempestade apocalíptica. O momento é crítico e nada mais nos é lícito esperar dos outros, senão de nosso próprio esforço e renúncia pessoal em favor do bem individual e coletivo que nos cabe realizar, segundo as nossas possibilidades.

 

Todavia, o mundo padece as conseqüências dos males que a insânia humana gerou e a Divina Lei de Justiça aguarda apenas o transbordamento da taça de iniqüidades para iniciar a retomada do equilíbrio indispensável ao progresso impostergável. O Amor suaviza a dor, porém não a substitui na sua condição de mecanismo natural de reajuste ao justo equilíbrio da Lei.

 

É por isso importante conhecermos as principais características do momento que passa na esteira deste nosso tempo, para compreendermos e agirmos acordes com a Lei de Deus.

 

O batismo de dor coletiva parece configurar-se a dura realidade, porque a insensatez humana aumenta e dilata-se cada vez mais. Uma das principais características que identificam a proximidade com o momento da “grande tribulação” é a apostasia, isto é, o ateísmo materialista exacerbado; e não é o que vemos ocorrer em dimensões superlativas nos dias atuais, como jamais houve na história humana? Edita-se recentemente o livro e já best-seller do cientista ateu Richard Dawkins, cujo título é o maior manifesto de ideologia ateísta até hoje lançado: “Deus, um delírio”! Neste livro o seu autor chega ao absurdo de conclamar a comunidade científica a uma verdadeira cruzada contra a fé, identificada por ele como o mal da Humanidade. A sua argumentação, conforme diz textualmente, pretende conduzir o leitor a tornar-se ateu até o final da leitura...

 

Porém, ainda mais devastador da fé insipiente é o livro do tecnólogo da computação e da robótica, e mundialmente aclamado, Ray Kurzweil, que se intitula “A era das máquinas espirituais”, porque assume a responsabilidade em colocar a “máquina” – criação humana – acima do próprio humano que a criou! Indo além, preconiza a fusão da individualidade humana com a suposta individualidade artificial, “criando” um novo ser, uma espécie de cyborg, segundo ele melhor e maior do que o humano que lhe deu origem. E ainda alcançando a imortalidade, através de uma espécie de “escaneamento” das conexões neuronais e biônicas, capazes de transferirem a mente para outros corpos não necessariamente biológicos, inclusive com a reposição de back-ups de cada individualidade, quando necessário! Para os que conhecem a “Obra Ubaldiana de Sua Voz”, o atavismo é flagrante: por querer o ser humano igualar-se a Deus, como quiseram os Anjos decaídos do Sistema no Anti-Sistema! Este mesmo ser, que fora Anjo, e agora na condição humana ainda insiste em antepor-se ao seu Criador. Repete-se, portanto, o mesmo princípio da Rebelião luciferiana primordial. E, significativamente, pretende-se a falsificação do ideal de Redenção do Anti-Sistema, com a pseudo-união do homem-criador e do robô-criatura, na absurda e blasfema condição de “eu e minha criatura somos o mesmo ser”.

 

Por uma estranha coincidência, que não deve ser coincidência, mas certamente é estranha, há algumas fundamentações básicas no desenvolvimento dos principais conceitos do livro “A era das máquinas espirituais” muito semelhantes, no seu enunciado, às revelações de “A Grande Síntese”, conforme se verifica nos seguintes parágrafos:

 

  1. A natureza do tempo é que ele se move inerentemente de forma exponencial: ou ganhando velocidade geometricamente ou, como na história de nosso Universo, geometricamente perdendo velocidade”. (página 29)

  2. Quando os elementos de uma invenção são montados justo da maneira certa, eles produzem um efeito encantador, que vai além de suas meras partes. ...Quando madeira, vernizes e cordas são reunidos da maneira correta, o resultado é maravilhoso: um violino, um piano”. (páginas 36 e 37)

  3. Os computadores ...têm se desenvolvido em uma espiral que acelera cada vez mais. ...As tecnologias lutam para sobreviver, evoluir e atravessar seu próprio e característico ciclo de vida. Podemos identificar sete estágios distintos.” (página 40) (grifei; e aqui a semelhança é singularmente espantosa!)

  4. Quando existe muito caos em um processo, mais tempo leva para que eventos significativos aconteçam. Por outro lado, à medida que a ordem aumenta, os períodos de tempo entre eventos relevantes diminuem”.(página 52)

  5. Mas é a espiral oposta da Lei do Tempo e do Caos que é a mais importante e relevante para nossos propósitos. Considere a sublei inversa, que chamo de Lei dos Retornos Acelerados: à medida que a ordem aumenta exponencialmente, o tempo acelera exponencialmente (isto é, o intervalo de tempo entre eventos relevantes fica menor com o passar do tempo).” (página 53)

  6. A evolução tem demonstrado, entretanto, que a tendência geral na direção de uma ordem maior geralmente resulta em maior complexidade.” (página 55)

  7. O fenômeno da diminuição e da aceleração da velocidade do tempo ocorre simultaneamente. Cosmologicamente falando, o Universo continua a diminuir a velocidade. A evolução, que agora é mais fácil de ser observada na forma de tecnologia criada por humanos, continua a se acelerar. Estes são os dois lados – duas espirais entrelaçadas – da Lei do Tempo e do Caos”. (página 57)

  8. ...um intervalo de poucos anos como adulto pode ser percebido como comparável a alguns meses para uma criança. ...a espiral de tempo da evolução.” (página 64)

  9. A espiral de tempo do Universo, entretanto, vai na mesma direção que nós, organismos, então faria mais sentido dizer que o Universo é consciente. E, pensando bem, isso lança alguma luz sobre o que aconteceu antes do Big Bang.” (página 65)

  10. O movimento primário de evolução foi na direção de uma ordem maior.” (página 77)

  11. Obviamente, consciência, matéria e energia estão ligadas de modo inextricável.” (página 97) (grifei; note-se que esta dedução de Kurzweil é a equação geral da substância, que Ubaldi concebeu por inspiração de “Sua Voz” por volta do ano de 1931!)

 

Por estas considerações de Kurzweil parece haver uma confluência para a identidade entre o que ele afirma e o que nos revela a “Obra Ubaldiana de Sua Voz”, particularmente em “A Grande Síntese” e a revelação que faz “Sua Voz” sobre a estrutura da Lei de Deus no Anti-Sistema: a Espiral Pulsátil Aberta e Ascendente nos Retornos Cíclicos de Períodos Setenários! Mas é só aparência. Na realidade, a sua posição é inteiramente oposta à de Ubaldi/“Sua Voz”. Em geral a oposição é sutil, mas há momentos em que se revela clara e objetivamente, de modo a não deixar a menor dúvida. Assim é que na página 344 pode-se ler textualmente:

 

...os computadores nessa época serão bem mais poderosos (e, creio eu, bem mais inteligentes) do que os humanos originais que iniciaram a sua criação.

 

O próximo passo inevitável é uma fusão da espécie inventora de tecnologia com a tecnologia computacional cuja criação iniciou. Neste estágio da evolução da inteligência em um planeta, os computadores serão eles próprios baseados, pelo menos parcialmente, nos designs dos cérebros (isto é, órgãos computacionais) da espécie que os criou originalmente e, por sua vez, os computadores se tornarão embutidos e integrados nos corpos e cérebros da espécie. Região por região, o cérebro e o sistema nervoso dessa espécie serão transportados para a tecnologia computacional e, em última instância, substituirão aqueles órgãos de processamento de informações. Todos os tipos de questões práticas e éticas atrasam o processo, mas não conseguem detê-lo. A Lei dos Retornos Acelerados prevê uma fusão completa da espécie com a tecnologia que criou originalmente.”

 

Quanto a sua concepção para o destino do Universo, a inversão da Verdade é absurdamente patente; não é Deus que conduz o processo, mas o ser humano, isto é, o homem-máquina, o cyborg do futuro:

 

...o destino do Universo é uma decisão que ainda está por ser tomada, uma decisão que iremos considerar de modo inteligente quando chegar a hora.” (página 350)

 

O que têm estas considerações a ver com o nosso estudo sobre o Apocalipse? Ora, elas atestam a condição do ser humano na sua infeliz posição de rebeldia diante de Deus, e a rebeldia é a causa das mudanças radicais e dolorosas previstas no Apocalipse. Quem, em sã consciência, pode admitir ser este caminho de Kurzweil o Caminho para a Verdadeira Vida? Onde está neste futuro das “máquinas espirituais” a Mansuetude, o Amor, a Sabedoria, a Humildade, as Virtudes de Nosso Senhor Jesus-Cristo? Que significado teria o Evangelho nessa estranha realidade? Se se concretizasse o ideal de Kurzweil, teríamos a falência dos sentimentos superiores e reinaria absoluto o gênio infernal do cérebro dissociado do coração, concretizando a advertência do Divino Mestre: “Se a tua luz forem trevas, quão grandes serão estas trevas”. Em “A era das máquinas espirituais” misturam-se luz e sombras e é justamente esta a principal característica do momento de transição apocalíptico.

 

Por intermédio da comunhão nos dois planos de vibração da mente espiritual, encarnada e desencarnada, criamos os nossos destinos através de sintonias felizes e infelizes, importando reconhecer que aos gênios infernais, se lhes faltam virtudes morais excede-lhes a racionalidade. Assim é que compreendo melhor agora, pelo acréscimo da Misericórdia Divina, o incomensurável gesto, a incompreensível renúncia e o inconcebível cuidado que tem a Espiritualidade Superior para plasmar em nosso plano de Vida uma nova Verdade, um novo Conhecimento, como na Revelação do Evangelho ou de “A Grande Síntese”. Porque para chegar a Verdade ao trigo, ficará ela também exposta ao joio. E tudo deverá concorrer para a consecução do melhor resultado extensivo a todos. Por Amor ou pela dor, conforme a livre vontade de cada um, o progresso a todos alcançará sem exclusividades e sem a exclusão de nenhuma das criaturas de Deus.

 

Persistindo a posição infeliz da rebeldia luciferiana, ao tempo da colheita, o joio precisará ser cegado, para que o trigo possa dar o alimento de suas sementes. Faz-se, assim, o cumprimento da Divina Lei de Justiça. Porque o progresso na aquisição da Paz é o desiderato da Suprema Vontade.

 

Entretanto, sintamos mais e compreendamos melhor como se suaviza o Poder de Deus na Mansuetude do Seu Amor Sem Limites, diante da insensatez humana na utilização equivocada das dádivas celestiais. Eis como nos advertia “Sua Voz”, por intermédio de Pietro Ubaldi, na Mensagem do Natal de 1931, recebida em Gubbio na Itália, quanto ao que nos aguardaria e aguardará o sombrio futuro próximo:

 

No silêncio da noite santa, escuta-me. Põe de lado todo o saber e tuas recordações; põe-te de parte e esquece tudo. Abandona-te à minha voz, inerte, vazio, no nada, no mais completo silêncio do espaço e do tempo. Neste vazio, ouve minha voz que te diz – ergue-te e fala: Sou eu.

 

Exulta pela minha presença: grande bem ela é para ti, grande prêmio que duramente mereceste; é aquele sinal que tanto invocaste deste mundo maior em que eu vivo e em que tu creste. Não perguntes meu nome, não procures individuar-me. Não poderias, ninguém o poderia; não tentes uma inútil hipótese. Sabes que sou sempre o mesmo.

 

Minha voz que, para teus ouvidos, é terna, como é amiga para todos os pequeninos que sofrem na sombra, sabe também ser vibrante e tonante, como jamais a sentiste. Não te preocupes; escreve. Minha palavra se dirige às profundezas da consciência e toca, no mais íntimo, a alma de quem a escuta. Será somente ouvida por quem se tornou capaz de ouvi-la. Para os outros, perder-se-á no vozear imenso da vida. Não importa, porém: ela deve ser dita.

 

Falo hoje a todos os justos da terra e os chamo de todas as partes do mundo, a fim de unificarem suas aspirações e preces numa oblata que se eleve ao Céu. Que nenhuma barreira de religião, de nacionalidade ou de raça os divida, porque não está longe o dia em que somente uma será a divisão entre os homens: justos e injustos.

 

A divisão está no íntimo da consciência e não no vosso aspecto exterior, visível. Todos os que sinceramente querem compreender o compreendem. Cada um, intimamente, se conhece, sem que o próprio vizinho possa percebê-lo.

 

Minha palavra é universal, mas também é um apelo íntimo, pessoal, a cada um. Muitos a reconhecerão.

 

Uma grande transformação se aproxima para a vida do mundo. Minha voz é singular, porém, outras se elevarão, muito breve, sempre mais fortes, fixando-se em todas as partes do mundo, para que o conselho a ninguém falte.

 

Não temas; escreve e olha. Contempla a trajetória dos acontecimentos humanos: ela se estende pelo futuro. Quem não está preso nas vossas férreas jaulas de espaço e de tempo vê, naturalmente, o futuro. Isso, que te exponho à vista, é também coerente segundo vossa lógica humana e, portanto, vos é compreensível.

 

Os povos, tanto quanto os indivíduos, têm uma responsabilidade nas transformações históricas, que seguem um curso lógico; existe um encadeamento de causas históricas, que, se são livres nas premissas, são necessárias nas conseqüências.

 

A lei de justiça, aspecto do equilíbrio universal, sob cujo governo tudo se realiza, inclusive em vosso mundo, quer que o equilíbrio seja restaurado e que as culpas e os erros sejam corrigidos pela dor. O que chamais de mal, de injustiça, é a natural e justa reação que neutraliza os efeitos de vossos atos. Tudo é desejado, tudo é merecido, embora não estejais preparados para recordar o ‘como’ e o ‘quando’. De dor está cheio o vosso mundo, porque é um mundo selvagem, lugar de sofrimento e de provas; mas não temais a dor, que é a única coisa verdadeiramente grande que possuís. É o instrumento que tendes para a conquista de vossa redenção e de vossa liberação. Bem-aventurados os que sofrem, Cristo vos disse.

 

O progresso científico, principal fruto de vossa época, ainda avançará no campo material. Está, entretanto, acumulando energias, riquezas, instrumentos para uma nova e grande explosão. Imaginai a que ponto chegará o progresso mecânico, ampliado ainda mais, se tanto já conseguiu em poucos anos! Não mais existirão, na verdade, distâncias; os diferentes povos de tal modo se comunicarão que haverá uma sociedade única.

 

A mente humana, porém, troca de direção de quando em quando, vive ciclos e períodos, e nessas várias fases deve defrontar diferentes problemas. O futuro contém não só continuações, mas transformações, conseqüências de um processo natural de saturação. O vosso progresso científico tende a tornar-se e tornar-se-á tão hipertrófico, porque não contrabalançado por um paralelo progresso moral, que o equilíbrio não poderá ser mantido nos acontecimentos históricos. Tem crescido e crescerá cada vez mais, sem precedentes na História, o domínio humano sobre as forças da natureza. Um imenso poder terá o homem, mas ele para isso não está preparado moralmente, porque a vossa psicologia é, em substância, infelizmente, a mesma da tenebrosa Idade Média. É um poder demasiadamente grande e novo para vossas mãos inexperientes.

 

O homem será dominado por uma tão alargada sensação de orgulho e de força, que se trairá. A desproporção entre o vosso poder e a altura ética de vossa vida far-se-á cada dia mais acentuada, porque cada dia que passa é, irresistivelmente, para vós, que vos lançastes nessa direção, um dia de progresso material.

 

As idéias são lançadas no tempo, com massa que lhes é própria, como os bólidos no espaço. Eu percebo um aumentar de tensão, lento, porém constante, que preludia o inevitável explodir do raio. Essa explosão é a última conseqüência, mesmo de acordo com a vossa lógica, de todo movimento. Desproporção e desequilíbrio não podem durar; a Lei quer que se resolvam num novo equilíbrio. Assim como a última molécula de gelo faz desmoronar o iceberg gigantesco, assim também de uma centelha qualquer surgirá o incêndio. Antigamente os cataclismos históricos, por viverem isolados os povos, podiam manter-se circunscritos; agora, não. Muitos, que estão nascendo, vê-lo-ão.

 

A destruição, porém, é necessária. Haverá destruição somente do que é forma, incrustação, cristalização, de tudo o que deve desaparecer, para que permaneça apenas a idéia, que sintetiza o valor das coisas. Um grande batismo de dor é necessário, a fim de que a humanidade recupere o equilíbrio, livremente violado: grande mal, condição de um bem maior.

 

Depois disso, a humanidade, purificada, mais leve, mais selecionada por haver perdido seus piores elementos, reunir-se-á em torno dos desconhecidos que hoje sofrem e semeiam em silêncio; e retomará, renovada, o caminho da ascensão. Uma nova era começará: o espírito terá o domínio e não mais a matéria, que será reduzida ao cativeiro. Então, aprendereis a ver-nos e escutar-nos; desceremos em multidão e conhecereis a Verdade.

 

Basta, por agora; vai e repousa. Voltarei, porém, recorda que minha palavra é feita de bondade e somente um objetivo de bondade poderá atrair-me. Onde existir apenas curiosidade, desejo de emoção, leviandade ou ainda cética pesquisa científica, aí não estarei. Somente a bondade, o amor, a dor me atraem.

 

Eu presido ao progresso espiritual do vosso planeta e para o progresso espiritual um ato de bondade tem mais valor que uma descoberta científica. Não invoqueis a prova do prodígio, quando podeis possuir a da razão e da fé. É vossa baixeza que vos leva a admirar, como sinal de verdade e poder, a exceção que viola a ordem divina. Se isso pode assombrar-vos e convencer-vos, a vós, anarquistas e rebeldes, para nós, no Alto, ela constitui a mais estridente e ofensiva dissonância, é a mais repugnante violação da ordem suprema em que repousamos e em cuja harmonia vibramos, felizes. Não procureis semelhante prova; reconhecei-a, antes, na qualidade da minha palavra.

 

A todos digo: ‘Paz!’ ”

 

A mesma advertência amorosa de “Sua Voz” retorna e reafirma-se na Mensagem da Nova Era, recebida por Pietro Ubaldi, na vigília do Natal de 1953, na cidade de São Vicente, no estado de São Paulo, no Brasil:

 

... Esta mensagem vos lança aos braços do III Milênio: por isso é ela a Mensagem da Nova Era. O mundo materialista está freneticamente lutando pela sua autodestruição. O dragão será morto pelo seu próprio veneno (grifei).

 

A vida, que jamais morre, está a preparar-se para substituir o mundo velho pelo novo: o reino do espírito, em cuja realização Cristo triunfará. A humanidade tem esperado dois mil anos pela Boa Nova, mas finalmente chegou a hora de sua realização. A vida se utilizará das tempestades que as forças do mal se preparam para desencadear, a fim de purificar-se (grifei). Aproveitar-se-á da destruição para reconstruir em nível mais alto.

 

Repito, assim a palavra da primeira Mensagem do Natal de 1931: ‘A destruição é necessária (...). Um grande batismo de dor é necessário, a fim de que a humanidade recupere o equilíbrio, livremente violado: grande mal, condição de um bem maior. Depois disso, a humanidade, purificada, mais leve, mais selecionada por haver perdido seus piores elementos, reunir-se-á em torno dos desconhecidos que hoje sofrem e semeiam em silêncio; e retomará, renovada, o caminho da ascensão. Uma nova era começará: o espírito terá o domínio e não mais a matéria, que será reduzida ao cativeiro (...)(grifos meus).

 

Encontrais, assim, as mesmas palavras, no princípio como no fim. ... (grifei)

 

A luciferiana revolta do ateísmo materialista está para desfechar contra Deus sua última batalha desesperada pelo triunfo absoluto, supremo esforço que redundará em sua ruína total. E Deus fará ver à humanidade aterrorizada, para o bem dos homens, que Ele somente é o senhor absoluto. ... (grifei)

 

Por isso, esta se pôde chamar a Mensagem da Nova Era, porque não mais vem anunciar a Boa Nova, mas a sua realização.

 

... Enquanto o mundo caminha, sempre mais, para o cumprimento, já agora fatal, do seu desejado destino, sobre aquela pedra pousarão os pés e se elevará a figura de Cristo que, flamejante, iluminará qual farol a estrada dos viandantes em busca de luz, para orientá-los através do longo caminho das ascensões humanas.

 

Tende fé, tende certeza. A Nova Era vos aguarda. Na imensa luta, Cristo é o mais forte e Ele estará convosco e com todos aqueles que Nele crêem.”

 

Destaco outras passagens do mesmo ciclo das Mensagens Espirituais, todas recebidas por Ubaldi:

 

(Mensagem da Ressurreição – Páscoa de 1932)

 

...É o vertiginoso momento de grandes maturações. ...A psicologia coletiva tem o pressentimento, embora confuso, de uma grande mudança de direção; sente que o pensamento humano, não mais infantil, apresta-se para tomar as rédeas da vida planetária e que o homem vai substituir o equilíbrio instintivo e cego das leis biológicas por outro equilíbrio, consciente e desejado. Por isso está buscando a luz, para que seu poder não naufrague no caos. ...Ai de vós se, depois de haverdes atingido o domínio do planeta, não dominardes a máquina ...No período que resta deste século se decidirá do terceiro milênio. ...”

 

(Mensagem do Perdão – dia do “Perdão da Porciúncula” de 1932)

 

...Escutai com atenção esta grande palavra: desejo que o equilíbrio, violado pela vossa maldade, se restabeleça pelos caminhos do amor e não pelo castigo. Compreendeis a grande diferença?

 

Eis as razões da minha intervenção, da minha presença entre vós.

 

A Lei quer o equilíbrio. É a Lei. Vós a desrespeitastes com vossas culpas, ultrajando assim a Divindade. O equilíbrio ‘deve’ restabelecer-se, a reação ‘deve’ verificar-se, o efeito ‘deve’ acompanhar a causa, por vós livremente buscada. ...

 

Homens, tremei! É supremo o momento. É por motivos supremos que do Alto desço até vós. Escutai-me: o mundo será dividido entre aqueles que me compreendem e me seguem e aqueles que não me compreendem e não me seguem. Ai destes últimos! Os primeiros encontrarão asilo seguro em meu coração e serão salvos; sobre os outros a Lei, não mais compensada pelo meu amor, descerá inelutavelmente eles serão arrastados por um vendaval sem nome para trevas indescritíveis. ...Entre vós e a divina justiça está minha oração: ‘Deus, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem’. ...quando eu já não for o Amor que perdoa e vos protege, serei o turbilhão que tempestua, serei o desencadear dos elementos sem peias, serei a Lei que, não mais dominada pela minha vontade, trazendo consigo a ruína, inexoravelmente explodirá sobre vós.

 

Tudo é conexo no Universo; causas físicas e efeitos morais, causas morais e efeitos físicos.”

 

(Mensagem aos Cristãos – Páscoa de 1933)

 

Antes do início do novo milênio, todos os valores humanos sofrerão uma grande revisão e a fé se enriquecerá com a contribuição da razão e da ciência. ...

 

A humanidade se encaminha para as grandes unidades políticas e espirituais. Que não surjam novas religiões e sim que as existentes se unifiquem numa fusão de fé que envolverá o mundo. O progresso se encontra no amor recíproco, que une, e nunca na rivalidade, que divide. ...”

 

(Mensagem aos Homens de Boa Vontade – Páscoa de 1933)

 

...Justos e injustos se encontram sobre a Terra, uns ao lado dos outros, para provações recíprocas; achá-los-eis juntos, usando todos o mesmo nome da verdade. Somente eu, que leio nos corações, os diferencio, como também pode fazê-lo a voz de vossa consciência, em que penetro e falo.”

 

(Mensagem da Paz – Páscoa de 1943)

 

...É fatal, pois, o triunfo final do espírito e no espírito vencereis. Essa vitória vale a imensa dor que é seu preço.

 

Amplamente já está sendo executado o plano divino da vida.”

 

Recordemos também a Mensagem de Francisco de Assis, recebida por Chico Xavier em 17 de agosto de 1951, e dirigida a Pietro Ubaldi, por ocasião de sua primeira vinda ao Brasil e estiveram então juntos os dois apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo, quando diz:

 

... A inteligência sem amor é o gênio infernal que arrasta os povos de agora às correntes escuras e terrificantes do abismo.

 

O cérebro sublimado não encontra socorro no coração embrutecido.

 

A cultura transviada da época em que jornadeamos, relegados à aflição, ameaça todos os serviços da Boa Nova, em seus mais íntimos fundamentos.

 

Pavorosas ruínas fumegarão, por certo, sobre os palácios faustosos da humana grandeza, carente de humildade, e o vento frio da desilusão soprará de rijo sobre os castelos mortos da dominação que, desvairada, se exibe, sem cogitar dos interesses imperecíveis e supremos do espírito. ...

 

Agora é ainda a noite que se rasga em trovões e sombras, amedrontando, vergastando, torturando, destruindo...

 

Todavia, Cristo reina e amanhã contemplaremos o celeste despertar.”

 

Note-se que esta mensagem é de 1951 (e à véspera do aniversário de Ubaldi).

 

Estamos vivendo atualmente o momento em que várias nações procuram o armamento nuclear, muitas vezes sob a aparência de uma notória improvável utilização precípua para fins pacíficos da tecnologia capaz de igualmente disponibiliza-lo. E é singular o fato de estarem-se definindo no mundo duas posições radicalmente distintas, com características antagônicas: o dogmatismo religioso fanático e fascinado pelo domínio da letra, cuja Verdade encobre e adultera, e o ceticismo científico materialista e ateu, ensandecido pelas conquistas do seu intelecto, voltado para o imediatismo da realidade sensória, que em sua suposta superioridade lógica considera orgulhosamente a única. São, portanto, dois formidáveis adversários, que se observam e se medem. Some-se a isso o problema econômico mundial e sua relação com o domínio de consciências, e temos aí as condições propícias ao estabelecimento de um conflito de proporções apocalípticas. Esta é a motivação do biólogo Dawkins, em seu mencionado livro; é contra esta fé que se bate, porque só a esta conhece, e a teme, por saber de suas potencialidades bélicas destrutivas, confirmada pelos fatos recentes e amplamente divulgados na mídia informativa.

 

Mas é também fato que a guerra alimenta-se no ódio, gerando a morte e, no entanto, a Vida nutre-se no Amor e na Paz; e é aí que as posições radicais falham.

 

Quinta Aproximação

 

Em 2000 publicou-se pela FEB o excelente livrinho de Mário Frigéri “As Sete Esferas da Terra”, que aborda o Apocalipse, aliando o bom-senso de Kardec com a análise criteriosa de variadas fontes fidedignas advindas da Espiritualidade Superior.

 

Um aspecto particularmente importante de seu estudo refere-se a sua compreensão sobre a existência de duas esferas subcrostais no nosso planeta: o Abismo ou segunda esfera, e as Trevas, esta a primeira. E a sua dedução inédita de referir-se o Apocalipse não somente à terceira esfera da crosta terrestre, mas a todas as sete esferas ligadas ao nosso planeta. Conclui, portanto, o autor que é às duas esferas subcrostais que se refere o Apocalipse quando menciona os dragões, o abismo, a antiga serpente ou Satanás ou o diabo. É significativa essa compreensão, pois somente assim se justifica a referência de André Luís aos dragões, feita por Gregório no livro “Libertação”, conforme se lê na página 103: “...Ela serve ao Cordeiro, eu sirvo aos Dragões”, que mereceu do autor espiritual deste romance mediúnico a seguinte nota: “Dragões – Espíritos caídos no mal, desde eras primevas da Criação Planetária, e que operam em zonas inferiores da vida, personificando líderes de rebelião, ódio, vaidade e egoísmo; não são, todavia, demônios eternos, porque individualmente se transformam para o bem, no curso dos séculos, qual acontece aos próprios homens”.

 

Outra anotação por demais significativa de Mário Frigéri, em seu importante trabalho, está na página 92, que transcreverei na íntegra:

 

“Será o terceiro ai, ou sétima trombeta, do Apocalipse: (...) Ai, ai, ai dos que moram na terra, por causa das restantes vozes da trombeta dos três anjos que ainda têm de tocar” (8:13). O primeiro ai, ainda segundo os mais conceituados intérpretes, aconteceu no período entre os anos de 1914/1918, e o segundo, entre 1939/1945. O terceiro e último ai, quando vier, será aquele que sepultará para sempre a memória de todas as guerras já ocorridas neste mundo (vide, a esse respeito, o profeta Isaías, 2:2 a 4). ...”

 

Publicou-se em 1995, pela Cultura Espírita União, o “Plantão de Respostas”, enfeixando os principais momentos do “Pinga Fogo II”, ocorrido em São Paulo, em dezembro de 1971, quando Chico Xavier e Emmanuel responderam a diversas perguntas em programa televisivo. É singularmente importante a resposta dada por Emmanuel à seguinte pergunta: “O que a Doutrina Espírita pode dizer a respeito do fim dos tempos, isto é, como ocorrerá a transformação do planeta em planeta de provas e expiações para o de regeneração?”

 

Resposta: Através da busca da espiritualização, superação das dores e construção de uma nova sociedade, a humanidade caminha para a regeneração das consciências.

 

Emmanuel afirma que a Terra será um mundo regenerado por volta de 2057. Cabe, a cada um, longa e árdua tarefa de ascensão. Trabalho e amor ao próximo com Jesus, este o caminho.” (grifei)

 

Eis, portanto, que o ano de 2057 é o divisor de águas: logicamente, encontramo-nos diante de um momento em que ocorre o salto de qualidade, repentino, radical e único! O que poderia causá-lo? Um grande efeito só pode ser conseguido a partir de uma grande causa... Se for por Amor, será uma grandiosa ação de Amor, e nenhuma há nem haveria maior ou igual ou sequer aproximada da presença mais ostensiva do Cristo de Deus, entre nós, ocorrida há dois mil anos; se for pela dor, será o efeito de uma grandiosa causa de dor. E, sendo dor, terá obrigatoriamente de ser rápida e profundamente convincente, como seria de se esperar a grande tribulação motivada por um conflito nuclear de alcance global.

 

Outra fonte informativa da maior importância aos que buscam compreender as características essenciais do momento apocalíptico de transição de Luz e sombras, encontra-se em “Obras Póstumas”, de Allan Kardec, na Mensagem “Regeneração da Humanidade”, inserida nas páginas 321 a 328, de que extraio os seguintes parágrafos:

 

“Precipitam-se com rapidez os acontecimentos, pelo que já não vos dizemos, como outrora: ‘Aproximam-se os tempos.’ Agora dizemos: ‘Os tempos são chegados.’

 

Não suponhais que as nossas palavras se referem a um novo dilúvio, nem a um cataclismo, nem a um revolvimento geral. Revoluções parciais do globo se hão produzido em todas as épocas e ainda se produzem, porque decorrem da sua constituição, mas não representam os sinais dos tempos. ...

 

Tudo segue a ordem natural das coisas e as leis imutáveis de Deus não serão subvertidas. Não vereis milagres, nem prodígios, nem fatos sobrenaturais, no sentido vulgarmente dado a essas palavras.

 

Não olheis para o céu em busca dos sinais precursores, porquanto nenhum vereis, e os que vo-los anunciarem estarão a enganar-vos. Olhai em torno de vós, entre os homens: aí é que os descobrireis.

 

Não sentis que um como vento sopra sobre a Terra e agita todos os Espíritos? O mundo se acha na expectativa e como que presa de um vago pressentimento de que a tempestade se aproxima.

 

Não acrediteis, porém, no fim do mundo material. A Terra tem progredido, desde a sua transformação; tem ainda que progredir e não que ser destruída. A Humanidade, entretanto, chegou a um dos períodos de sua transformação e o mundo terreno vai elevar-se na hierarquia dos mundos.

 

O que se prepara não é, pois, o fim do mundo material, mas o fim do mundo moral. É o velho mundo, o mundo dos preconceitos, do orgulho, do egoísmo e do fanatismo que se esboroa. Cada dia leva consigo alguns destroços. Tudo dele acabará com a geração que se vai e a geração nova erguerá o novo edifício, que as gerações seguintes consolidarão e completarão. ...

 

A Terra, dissemo-lo, não será transformada por um cataclismo que aniquile de súbito uma geração. ... Assim, desapontados ficarão os que contem que a transformação resulte de efeitos sobrenaturais e maravilhosos.

 

A época atual é a da transição; os elementos das duas gerações se confundem. Colocados no ponto intermédio, assistis à partida de uma e à chegada da outra, e cada uma já se assinala no mundo pelos caracteres que lhe são próprios.

 

As duas gerações que sucedem uma à outra têm idéias e modos de ver inteiramente opostos. Pela natureza das disposições morais, porém, sobretudo pelas disposições intuitivas e inatas, torna-se fácil distinguir à qual das duas pertence cada indivíduo.

 

Tendo de fundar a era do progresso moral, a nova geração se distingue por uma inteligência e uma razão, em geral, precoces, juntas ao sentimento inato do bem e das crenças espiritualistas, o que é sinal indubitável de certo grau de adiantamento anterior. Não se comporá tão-só de Espíritos eminentemente superiores, mas de Espíritos que, já tendo progredido, estão predispostos a assimilar as idéias progressistas e aptos a secundar o movimento regenerador.

 

O que, ao contrário, distingue os Espíritos atrasados é, primeiramente, a revolta contra Deus, pela negação da Providência e de qualquer poder acima da Humanidade; depois, pela propensão instintiva para as paixões degradantes, para os sentimentos antifraternais do orgulho, do ódio, do ciúme, da cupidez, enfim, a predominância de apego a tudo o que é material.

 

Desses vícios é que a Terra tem que ser expurgada pelo afastamento dos que recalcitram em emendar-se, visto que são incompatíveis com o reino da fraternidade e os homens de bem sofreriam sempre com o contacto dessas criaturas. Livre deles a Terra, os outros caminharão desembaraçadamente para o futuro melhor, que lhes está reservado neste mundo, em recompensa de seus esforços e da sua perseverança, enquanto uma depuração ainda mais completa não lhes abre o pórtico dos mundos superiores. ...

 

Infelizmente, a maioria, desconhecendo a voz de Deus, persistirá na sua cegueira e a resistência que virá a opor mascarará, por meio de terríveis lutas, o fim do reinado dos que a constituem. Desvairados, correrão à sua própria perda; provocarão destruições que darão origem a um sem-número de flagelos e de calamidades, de sorte que, sem o quererem, apressarão o advento da era de renovação.

 

E, como se não se operasse com bastante rapidez a destruição, os suicídios se multiplicarão em proporções inauditas, até entre as crianças (grifei). A loucura jamais terá atingido tão grande quantidade de homens que, antes mesmo de morrerem, estarão riscados do número dos vivos. São esses os verdadeiros sinais dos tempos e tudo isso se cumprirá pelo encadeamento das circunstâncias, como já o dissemos, sem que haja a mais ligeira derrogação das leis da Natureza.

 

Contudo, através da escura nuvem que vos envolve e em cujo seio ronca a tempestade, já podeis ver despontando os primeiros raios da era nova. ...

 

A fé inata será um dos caracteres distintivos da nova geração, não a fé exclusiva e cega que divide os homens, mas a fé raciocinada, que esclarece e fortifica, que os une e confunde num sentimento comum de amor a Deus e ao próximo. Com a geração que se extinguedesaparecerão os últimos vestígios daincredulidade e do fanatismo, igualmente contrários ao progresso moral e social.

 

O Espiritismo é a senda que conduz à renovação, porque destrói os dois maiores obstáculos que se opõem a essa renovação: a incredulidade e o fanatismo; porque faculta uma fé sólida e esclarecida; desenvolve todos os sentimentos e todas as idéias que correspondem aos modos de ver da nova geração, pelo que, no coração dos representantes desta, ele se achará inato e em estado de intuição. Assim, pois, a era nova vê-lo-á engrandecer-se e prosperar pela força mesma das coisas. Tornar-se-á a base de todas as crenças, o ponto de apoio de todas as instituições. ...”

 

É significativa a referência espiritual ao suicídio entre crianças e aos homens vivos que já estão mortos, pois as drogas largamente em uso na atualidade já deram realidade a esta profecia.

 

Outro aspecto por demais significativo desta mensagem é a referência ao imprescindível desaparecimento da incredulidade e do fanatismo, “igualmente contrários ao progresso moral e social”. Assim, as posições extremistas e radicais do ceticismo científico e do dogmatismo religioso passarão e darão lugar ao procedimento equilibrado de uma religiosidade científica, cuja fé terá o suporte do raciocínio lógico e da intuição inspiradora. Pensamento e Vontade estarão em equilíbrio no deslocamento espaço-temporal do Espírito na trajetória segura indicada pelo caminho do meio mínimo.

 

Sexta Aproximação

 

Algumas nações têm sido especialmente relacionadas ao Apocalipse, por sua influência exercida sobre as demais nações, oportunizada pela psicologia dominante no mundo, naquele momento mais próxima a de um determinado povo. A Alemanha, na Segunda Guerra Mundial, e a União Soviética, em particular a Rússia, tiveram assim o seu momento de domínio material e de grande influência sobre os destinos da Humanidade, nesta nossa época de Luz e sombras.

 

Entretanto, no que se relaciona mais diretamente ao domínio do Espírito, e que geralmente passa despercebido pela esmagadora maioria dos desatentos, têm-se registrado fatos insólitos ao cotidiano comum, atestando a presença constante da Espiritualidade Superior a nos amparar na superação de nossas difíceis provações coletivas. Uma das mais evidentes provas desse testemunho no hemisfério ocidental tem-nos sido dado pelo excelso Espírito de Maria Santíssima, a mãe de Jesus, e mãe espiritual de todos nós. Nesse período apocalíptico há relatos da presença de Nossa Senhora nas nações que passam por momentos cruciais de resgates coletivos, sempre enviando-nos mensagens esclarecedoras e consoladoras, de alcance universal, embora adaptadas, por necessidades de contingência, à interpretação do Catolicismo. Sem nos atermos ao aspecto circunstancial dos textos, o que se verifica no fenômeno é a coerência de sua comprovação em circunstâncias decisivas ao destino de uma ou mais nações. Aconteceu assim com Portugal, em Fátima, estendendo-se então indiretamente a sua influência a Rússia, e mais recentemente com a Iugoslávia e variadas etnias a ela vinculadas.

 

A Espiritualidade Superior, sob a égide do Cristo de Deus, descendo até as particularidades, trazem-nos ainda a revelação do que está reservado aos primeiros momentos do imprescindível reajuste na retomada do equilíbrio, logo após a passagem da grande tribulação. Volta-se a atenção para o país destinado a receber e congregar junto a seu povo os irmãos de outras terras, necessitados agora de novas diretrizes e novos rumos evolutivos. Ao Brasil destina-se esta sublime missão.

 

É significativo e constitui prova de confiabilidade sobre a realidade dessa destinação o fato incontestável de ter sido justamente através dos dois candeeiros de Deus do nosso período apocalíptico, Chico Xavier e Ubaldi, que nos chega o conhecimento dessa revelação profética. Pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, recebemos do Espírito Humberto de Campos o livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho” e Pietro Ubaldi nos oferta o Capítulo “A Função Histórica do Brasil no Mundo”, inserido no décimo primeiro volume da “Obra Ubaldiana de Sua Voz”, cujo título é “Profecias”.

 

De “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho” citarei para embasamento do nosso estudo os seguintes parágrafos:

 

(no prefácio do Espírito Emmanuel)

 

“...O Brasil não está somente destinado a suprir as necessidades materiais dos povos mais pobres do planeta, mas, também, a facultar ao mundo inteiro uma expressão consoladora de crença e de fé raciocinada e a ser o maior celeiro de claridades espirituais do orbe inteiro. Nestes tempos de confusionismo amargo ...porque se a Grécia e a Roma da antiguidade tiveram a sua hora, como elementos primordiais das origens de toda a civilização do Ocidente; se o império português e o espanhol se alastraram quase por todo o planeta; se a França, se a Inglaterra têm tido a sua hora proeminente nos tempos que assinalam as etapas evolutivas do mundo, o Brasil terá também o seu grande momento, no relógio que marca os dias da evolução da humanidade.

 

Se outros povos atestaram o progresso, pelas expressões materializadas e transitórias, o Brasil terá a sua expressão imortal na vida do espírito, representando a fonte de um pensamento novo, sem as ideologias de separatividade, e inundando todos os campos das atividades humanas com uma nova luz.”

 

(no ‘Esclarecendo’ do Espírito Humberto)

 

...E os verdadeiros aprendizes, os crentes sinceros no poder e na misericórdia do Senhor, esperam, com os seus labores obscuros, o advento da cristianização da humanidade, quando os homens, livres de todos os símbolos sectários de separatividade, puderem entender, integralmente, as maravilhas ocultas da obra cristã. Nas suas dolorosas provações dos tempos modernos, quando quase todos os valores morais sofrem o insulto da mais ampla subversão, esses espíritos heróicos e humildes sabem, na sua esperança e na sua crença, que, se Deus permite a prática de tantos absurdos, por parte dos poderosos da Terra, que se embriagam do vinho da autoridade e da ambição, é que todas essas lutas nada mais representam do que experiências penosas, por abreviar a compreensão geral das leis divinas no porvir. E, serenos na sua resignação e na sua sinceridade, conhecem, ainda, que as lições do Evangelho não são símbolos mortos e aguardam, cheios de confiança no mundo espiritual, a alvorada luminosa do renascimento humano.”

 

(página 23)

 

...Mãos erguidas para o Alto, como se invocasse a bênção de seu Pai para todos os elementos daquele solo extraordinário e opulento, exclama então Jesus:

 

_ Para esta terra maravilhosa e bendita será transplantada a árvore do meu Evangelho de piedade e de amor. No seu solo dadivoso e fertilíssimo, todos os povos da Terra aprenderão a lei da fraternidade universal. Sob estes céus serão entoados os hosanas mais ternos à misericórdia do Pai Celestial.”

 

(página 236)

 

“...Nesta época de confusão e amargura, quando, com as mais justas razões, se tem, por toda parte, a triste organização do homem econômico da filosofia marxista, que vem destruir todo o patrimônio de tradições dos que lutaram e sofreram no pretérito da humanidade, as medidas de repressão e de segurança devem ser tomadas a bem das coletividades e das instituições, a fim de que uma onda inconsciente de destruição e morticínio não elimine o altar de esperanças da pátria. Que o capitalismo, visando à própria tranqüilidade coletiva, seja chamado pelas administrações ao debate, a incentivar com os seus largos recursos a campanha do livro, do saneamento e do trabalho, em favor da concórdia universal.”

 

(último parágrafo)

 

“Que as falanges de Ismael possam, aliadas a quantos se desvelam pela sua obra divina, reunir o material disperso e que a Pátria do Evangelho mais ascenda e avulte no concerto dos povos, irradiando a paz e a fraternidade que alicerçam, indestrutivelmente, todas as tradições e todas as glórias do Brasil.”

 

De Ubaldi, no volume “Profecias”, encontramos o mesmo embasamento, a mesma idéia central e as mesmas conclusões, como nos atestam os seguintes parágrafos:

 

(Capítulo V – A Função Histórica do Brasil no Mundo)

 

“...Um fato, entretanto, parece certo: que a hora é apocalíptica e que o terreno norte está minado. Ora, a primeira grande riqueza e potência do Brasil é de estar em outro hemisfério, longe de tudo isso. Este fato o garante, ao menos, de não ser objeto de ataques e teatro de guerras, sorte que a Europa, os Estados-Unidos e a Rússia estão bem longe de ter. Além disso, o Brasil não precisa de expansões nem imperialismo, porque seu território já é vasto como um império, e só espera ser povoado. Não tem, pois, razões de rivalidade com nenhum país. ...Acha-se, pois, o Brasil em condições pacíficas naturais, e é esta sua posição natural no mundo. ...A função histórica do Brasil no mundo só pode ser, portanto, neste nosso tempo, uma função de paz. ...As circunstâncias, com efeito, enquadram hoje o Brasil nesta posição, como num destino, expresso pelas condições de fato. ...É claro, pois, que a função histórica do Brasil no mundo só pode ser a de abraçar a humanidade com o seu amor, em seu imenso território, à espera de ser povoado. Deixemos aos povos do Hemisfério Norte outras funções a executar no organismo social do mundo. Deixemos à Ásia a função metafísica, à Europa as funções cerebrais do mundo, à Rússia a função revolucionária e destruidora, à América do Norte a função econômica da riqueza, e assim por diante, e reconheçamos que a função histórica do Brasil é bondade, tolerância, amor. ,,,

 

Tudo o que diz respeito ao Brasil, parece feito sob medida, de propósito para torná-lo apto a essa função. Trata-se, sobretudo, de amar, ou seja, de abrir os braços, evangelicamente. São tantas as ideologias propagadas no mundo (...) Por que deve parecer tão absurda a de um Evangelho verdadeiramente vivido? Abrir os braços ao mundo! E pode acontecer que o mundo, amanhã, com a infernal destruição que hoje se está preparando, tenha inadiável necessidade de um refúgio, em que achar paz, de uma terra em que não viva o ódio ou o interesse, mas o amor. Quem sabe se a luta entre as ideologias armadas de bombas atômicas, não se resolva num desastre tão grande no Hemisfério Norte, que os povos devam fugir de lá em massa, especialmente da Europa que está mais ameaçada? E quem sabe se esse impulso não exercite uma pressão desesperada sobre as portas do Brasil, tão forte que as faça ceder, e opere uma imigração em massa de milhões de europeus? Assim se preencheria rapidamente o Brasil, de frutos mais carregados de dinamismo e de inteligência, produto da milenária elaboração da velha civilização européia, que já viveu tantas experiências, para que funcione como semente que se transplante para um terreno virgem para fecundá-lo. Tudo isto na linha das maiores probabilidades. E então, a função do Brasil seria não só receber e abraçar, mas, com seus princípios de liberdade, de hospitalidade e bondade, de amalgamar todas as raças, como já está fazendo, assimilando-as em sua nova terra. Os povos novos se fazem com a fusão, não com o racismo, e a fusão se faz com o amor.

 

Tudo parece pronto para estas novas realizações. O Brasil possui território imenso, cheio de riquezas incalculáveis, que só esperam a mão do homem para ser valorizadas. Maior muitas vezes que a Europa, fértil, e com um clima que torna fácil a vida, pode conter mais de 500 milhões de habitantes. E tem hoje apenas a décima parte. E o mundo da velha civilização européia acha-se justamente em condições opostas, de superpopulação e de pressão demográfica, à procura de um espaço vital. Dois impulsos opostos, que convergem para a mesma solução. A civilização emigrou do Egito para a Grécia, da Grécia para Roma, de Roma para a Europa e da Europa para as Américas. A raça anglo-saxã criou a civilização do dólar nos Estados Unidos. Por que a raça latina, herdeira de Roma, não poderia criar a civilização do Evangelho no Brasil?

 

Há também uma razão de caráter moral e, para a História, têm poder, outrossim, as forças desse tipo, mesmo se a política não as leve em conta. E esta razão pode ter maior valor hoje, porque esta é a hora do juízo, a hora apocalíptica, em que será liquidado um velho mundo indigno, para que nasça outro melhor. Ora, a América do Sul é inocente de vítimas de guerra e a raça latina é inocente da criação e do uso da bomba atômica. Esta inocência, diante da justiça de Deus, imanente nas leis da vida, forma uma base e um direito de ser salvo. Tudo, pois, parece concordar para uma missão do Brasil no mundo, que o faça, em grande parte, herdeiro especialmente da civilização latina. ...Encontram-se no Brasil quase todas as religiões do mundo, vivendo juntas na mesma terra. Na Europa pode dizer-se que há apenas uma religião, tão afins são as duas dominantes, catolicismo e protestantismo, ambas cristãs. Entretanto, não há muita disposição espontânea à espiritualidade, e o biótipo místico não domina em absoluto. ...É provável que o mundo se ache, brevemente, com uma necessidade tão premente de paz e de bondade, que se valorizem de modo extraordinário os poucos lugares em que seja possível encontrá-las. E o Brasil poderá ser o primeiro entre estes. É provável que os conflitos do Hemisfério Norte terminem com grandes destruições, após as quais a vida terá imperiosa necessidade, para sua reconstituição, de paz, amor, compreensão e colaboração, e de um lugar tranqüilo onde possa repousar e recomeçar sobre essas bases. A carência crescente desses elementos e a progressiva elevação da procura os valorizará cada vez mais, tornando-os buscados e preciosos. A humanidade, traída pela força e pela riqueza, nas quais unicamente acreditou, enregelada por um egoísmo do qual só terá recebido deslocação, procurará, para não morrer, um sentimento de bondade em que possa viver com mais calor, e que termine de uma vez com as lutas. Eis a grande função histórica do Brasil, se este souber preparar-se desde já; eis sua missão, se ele quiser desempenhá-la amanhã, pois que a História está pronta para confiar-lha.

 

Então, poderemos dizer que o Brasil poderá ser a sede da primeira realização da terceira idéia, que funda, num todo, o que há de melhor nas duas atualmente em luta mortal, ou seja, a liberdade dum lado e a justiça econômica do outro, no amor evangélico, sem o que nada é aplicável, em paz, nem pode dar fruto algum. Isso tudo é possível, porque, como diz Victor Hugo: ‘há uma coisa mais poderosa que todos os exércitos: é uma idéia, cujo tempo tenha chegado’. Então, poderemos dizer, que o Brasil poderá ser verdadeiramente o berço da nova civilização do espírito e do Evangelho, da nova civilização do terceiro milênio”.

 

O inconsciente coletivo criou o mito de Shangri-Lah, um lugar paradisíaco perdido da civilização moderna, com a função de ser o restaurador da Esperança e da Alegria de viver, ao mundo, vitimado por guerras e hecatombes, após a passagem da devastação resultante da loucura final. O Brasil é Shagri-Lah, pelo menos em potencial e em probabilidade. A oferta dos Céus é justamente para que seja o Brasil o restaurador da Esperança e da Alegria, na aplicação prática da Boa Nova do Cristo de Deus. Pois ao Brasil é oferecida a sublime tarefa da Paz, porque para o Alto é o Brasil verdadeiramente o Coração do Mundo e a Pátria do Evangelho.

 

Sétima Aproximação

 

Após termos realizado o estudo, encontramo-nos plenamente certos de sua veracidade e entendemos agora a razão de ser das profecias e, por sua condição singular, do Apocalipse. Não se trata de uma quimera e, como tudo o que vem de Deus, tem magna importância para a nossa elevação espiritual na Terra. O momento é crucial, de Luz e de sombras, porém na singular posição de ser o ponto de inflexão pelo efeito de ricochete, quando o Espírito, individual e coletivamente, passará a ter pela primeira vez na Terra a supremacia sobre a matéria. É também o momento de há muito esperado, em que o trigo e o joio serão definitivamente separados, isto é, tratando-se da chegada dos tempos da colheita, o Divino Pomicultor cuidará de separar os bons dos maus frutos, para que a Terra seja o Jardim de nossas realizações duradouras. Os humildes regenerados, que serão brandos e pacíficos na mansuetude de suas expressões fraternas, herdarão a Terra, isto é, passará de Deus Imanente à consciência humana o domínio do planeta, pois deixará a Humanidade para trás a sua infância, amadurecida que foi na dor e no sofrimento. Dilatadas serão as fronteiras internas do Espírito, agora de cérebro amparado no coração, rumo a novas conquistas de amor e de sabedoria. A Evolução da Humanidade terrena e do planeta seguirá em segurança, alicerçada na condição insuperável de sempre priorizar o Espírito em detrimento da matéria, que respeitará e assumirá como penhor de sua reconhecida responsabilidade evolutiva.

 

Uma Nova Jerusalém ressurgirá, qual a Fênix, de suas cinzas.

 

E o Natal de Jesus será comemorado, mas será como se fosse pela primeira vez. Porque pela primeira vez “haverá um só rebanho e um só Pastor”. E então os justos poderão dizer, afinal, com os Anjos:

 

Glória a Deus nas Alturas! E ao Seu Cristo e Senhor Nosso! Paz na Terra, Boa Vontade entre os seres humanos!”

 

Amém. Assim seja.