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Já disseram, com propriedade, que os livros do Espírito André Luiz, recebidos através da psicografia luminosa do inesquecível e sempre saudoso médium Francisco Cândido Xavier serão futuramente estudados nas Universidades. Também já se disse, algures, que os livros de André Luiz devem ser garimpados, em busca de suas pepitas ou pérolas do conhecimento superior; a questão do nitrogênio, abordada no livro “Os Mensageiros”, no capítulo 42, intitulado Evangelho no ambiente rural, deve estar seguramente entre os fatos que mereceriam as considerações dos prezados confrades a que nos referimos.

 

Ali é considerada, de um ponto de vista distinto e complementar ao acadêmico, a função do nitrogênio e a importância que tem para a evolução das espécies biológicas, em particular a humana.

 

De acordo com a Ciência atual, foi no concerto cósmico de forças e energias primordiais que nasceram, no microcosmo das dimensões atômicas, os elementos químicos que compõem a Tabela Periódica. Formada a Terra, acompanha-a a Ciência, na sua trajetória evolutiva espaço-temporal, desde a consolidação da crosta, passando pela diversificação da matéria inorgânica, no reino mineral, para alcançar a vida orgânica nos vegetais. E, devemos acrescentar, em conformidade com as observações científicas, que prosseguindo sempre o movimento ascendente, a vida orgânica elevou-se nos animais e atingiu a sua plenitude na espécie humana.

 

Como a vida não despreza o seu passado, ao contrário, valoriza-o e procura preservá-lo, o elemento inorgânico reside no orgânico: o reino mineral é a base de sustentação da vida. O oxigênio do ar é o principal alimento do ser humano; a água é-lhe o segundo. O nitrogênio e o carbono, retira-o o ser humano dos vegetais e dos animais.

 

É, contudo, o emprego do nitrogênio pelos seres vivos, e em particular pelo humano, um fato que contraria singularmente a hipótese científica do acaso; e é nesse ponto que toca o Espírito André Luiz, na passagem a que nos referimos, ao relatar o comentário do Instrutor Aniceto sobre os versículos 19, 20 e 21 do capítulo 8, da Epístola de Paulo aos Romanos. É que, embora exista na atmosfera em cerca de setenta e oito por cento do total dos gases de que é formada, o nitrogênio não pode ser incorporado diretamente, à maneira do oxigênio, presente na atmosfera em aproximadamente vinte e um por cento, apenas. Presente no ar que respiramos em concentração quatro vezes superior à do oxigênio, o nitrogênio entra e sai de nossos pulmões sem sofrer qualquer alteração; assim acontece também com os animais que, como o ser humano, não metabolizam o nitrogênio diretamente do ar. Nem mesmo os vegetais fixam o nitrogênio do ar; somente algumas bactérias - as cianofíceas - conseguem fazê-lo. Entretanto, a Ciência admite que na atmosfera primitiva o oxigênio não estava presente; ela deveria conter apenas o hidrogênio e outros compostos redutores, como o metano e a amônia, além de provavelmente a água.

 

As rochas mais antigas encontradas na Terra, com mais de dois bilhões de anos, não continham oxigênio. Já as rochas mais recentes apresentam vestígios de oxidação. É, portanto, provável que o desenvolvimento de uma atmosfera oxidante seja um fenômeno subseqüente na Terra. E deve ter-se produzido o oxigênio em conseqüência da dissociação ultravioleta da água, mas, principalmente, pela fotossíntese, afirmam os cientistas.

 

Então, a pergunta que surge naturalmente é: Por que, afinal, os seres vivos em geral não incorporam o nitrogênio diretamente do ar ? E por que o ser humano, em especial, não o incorpora como faz com o oxigênio ? Considerando-se a sua superior abundância no ar e a sua anterioridade ao oxigênio, não deveria ser esse o caminho mais provável na evolução das espécies ?

 

A palavra esclarecedora do Espírito Aniceto toca nessas mesmas questões, levando-nos a ilações mais profundas, ao considerar que “ ... Sempre ao voltarmos à Crosta, envolvendo-nos em fluidos do círculo carnal, levamos muito longe a aquisição de nitrogênio. Convertemos em tragédia mundial o que poderia constituir a procura serena e edificante. Como sabemos, organismo algum poderá viver na Terra sem essa substância, e embora se locomova, no oceano de nitrogênio, respirando-o na média de mil litros por dia, não pode o homem, como nenhum ser vivo do planeta, apropriar-se do nitrogênio do ar. Por enquanto, não permite o Senhor a criação de células nos organismos viventes do nosso mundo que procedam à absorção espontânea desse elemento de importância primordial na manutenção da vida, como acontece ao oxigênio comum. Somente as plantas, infatigáveis operárias do orbe, conseguem retirá-lo do solo, fixando-o para o entretenimento da vida noutros seres. Cada grão de trigo é uma bênção nitrogenada para sustento das criaturas, cada fruto da terra é uma bolsa de açúcar e albumina, repleta do nitrogênio indispensável ao equilíbrio orgânico dos seres vivos. Todas as indústrias agropecuárias não representam, na essência, senão a procura organizada e metódica do precioso elemento da vida. Se o homem conseguisse fixar dez gramas, aproximadamente, dos mil litros de nitrogênio que respira diariamente, a Crosta estaria transformada no paraíso verdadeiramente espiritual. Mas, se muito nos dá o Senhor, é razoável que exija a colaboração do nosso esforço na construção da nossa própria felicidade. Mesmo em “Nosso Lar”, ainda estamos distantes da grande conquista do alimento espontâneo pelas forças atmosféricas, em caráter absoluto. E o homem, meus amigos, transforma a procura do nitrogênio em movimento de paixões desvairadas, ferindo e sendo ferido, ofendendo e sendo ofendido, escravizando e tornando-se cativo, segregado em densas trevas! Ajudemo-lo a compreender, para que se organize uma era nova. Auxiliemo-lo a amar a terra, antes de explorá-la no sentido inferior, a valer-se da cooperação dos animais, sem os recursos do extermínio! Nessa época, o matadouro será convertido em local de cooperação, onde o homem atenderá aos seres inferiores e onde estes atenderão às necessidades do homem, e as árvores úteis viverão em meio do respeito que lhes é devido. Nesse tempo sublime, a indústria glorificará o bem e, sentindo-nos o entendimento, a boa vontade e a veneração às leis divinas, permitir-nos-á o Senhor, pelo menos em parte, a solução do problema técnico de fixação do nitrogênio da atmosfera. ... ”

 

Seguindo o raciocínio do Espírito Aniceto, perguntamos: O que aconteceria, se a espécie humana tivesse a capacidade de alimentar-se com o nitrogênio retirado diretamente do ar ? O mais seguramente provável é que não havendo mais a necessidade do esforço no trabalho edificante, pela posse do alimento, na nossa natural e infeliz condição moral em que ainda nos encontramos abdicaríamos de qualquer esforço pessoal e coletivo em favor do progresso, da Evolução, e estacionaríamos.

 

No início de nossa jornada humana, tal como os animais, vivíamos, quase exclusivamente, para comer; estamos, aos poucos, aprendendo a comer para viver. Neste processo, a posse do nitrogênio tem sido sempre um dos principais problemas a serem resolvidos, individual e coletivamente, por nós. Conforme nos ensina o Espírito Aniceto, virá a época em que haveremos de saber aproveitar a imensa reserva de nitrogênio da atmosfera terrestre, sem a necessidade de recorrermos ao extermínio de seres viventes em reinos inferiores da Natureza; quando, mais moralizados, mais conscientes e despertos para valores mais altos da Vida, receberemos a promoção evolutiva que nos habilite a prosseguir com melhor uso de nossa vontade.

 

Por Vontade Divina, revela-nos o Gênesis, comeremos o nosso pão com o suor do rosto, isto é, trabalharemos para nos alimentarmos com o nitrogênio presente nos aminoácidos das proteínas, de que nos servimos à mesa das refeições ... no trigo do pão nosso, de cada dia.

 

Edil Reis