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O Divino Mestre Jesus é o Amor, mas é também a Sabedoria do Cristo de Deus.

 

Muitas foram as ocasiões em que o Senhor demonstrou, com iniludível clareza, a sua superior inteligência, situando-a muito acima de nossa acanhada condição humana. Certamente não conseguimos sequer acompanhar a lucidez do seu pensamento, sem prejudicar-lhe a essência, ao fragmentá-lo, na tentativa de reduzi-lo ao nosso nível inferior de análise. Tamanha é essa distância entre o Mestre e nós, que mesmo os agnósticos, e ainda os que se dizem ateus, espantam-se de que alguém como Ele tenha de fato existido entre os homens, alguns chegando até a afirmar a impossibilidade de sua existência histórica.

 

Realmente, como poderia ser diferente o pensamento dos céticos, se ainda agora teimamos, através de alguns membros da comunidade científica, em situar o ser humano no mesmo nível dos animais, confundindo lamentavelmente o mecanismo que molda a matéria, arquivada na informação do código genético, com a própria natureza do ser espiritual, que provisoriamente a sustenta?

 

No nível de consciência dos animais justifica-se a seleção do mais apto pela conquista do alimento, e a luta pela vida, com a eliminação do adversário é, na consciência primitiva, condição de desenvolvimento. Porém, a seleção natural não é a mesma em todas as situações da consciência, porque os organismos, as espécies, os seres, evoluem e o meio ambiente natural também evolui e se modifica; por isso, a seleção está naturalmente condicionada ao ambiente em que atua e à consciência que desperta. Eis que, embora raros, na espécie humana encontram-se também os seres melhor adaptados - e consequentemente mais evoluídos - que ao invés de eliminar os concorrentes, procuram contribuir, em plena consciência de seus atos, para preservar a vida de todos, muitas vezes às custas da sua própria, em flagrante contradição com a expectativa indicada pela análise fundamentada apenas no que o comportamento do maior número parece indicar. Então, aos doutos e sábios nas coisas do mundo que, mesmo tendo olhos, não vêem além do que a forma encobre, é fato espantoso que alguém como Jesus tenha existido ou possa, por esse particular ponto de vista, apenas, ser compreendido.

 

O fato é que a presença do Divino Mestre é incômoda ao ser humano, porque pretende transformá-lo, não apenas na horizontalidade de sua personalidade momentânea, mas principalmente na verticalidade de sua individualidade eterna. E, para isso, deverá o ser humano abdicar, em definitivo, de sua psicologia egoísta, forjada na animalidade recente, substituindo-a, aos poucos e na medida do que lhe seja possível, pelos dons de Jesus - o Modelo da Perfeição relativa - que no futuro distante haveremos todos de alcançar, às custas de continuados golpes de esforço individual, valendo-nos também - e nisto reside a Misericórdia Divina - das conquistas coletivas daqueles que seguem conosco, em nossa jornada das trevas para a luz.

 

Desse choque tremendo, de consciências, entre a nossa, envilecida e resistente às necessárias mudanças, e a de Jesus - a luz do mundo - estabelece-se o conflito atual, iniciado há dois mil anos.

 

E tamanha é a nossa resistência à imprescindível transformação que preferimos Barrabás ao Cristo! Além, é certo, de todas as tentativas e urdiduras das sombras, em que temos nos envolvido, para dissuadir o Senhor de executar, desde aquela época, a sua Divina Missão; até mesmo o Apóstolo Pedro, em quem se assentariam as diretrizes para a edificação do Cristianismo, conforme Jesus nos ensinara, tentou em um momento de invigilância persuadir o Divino Mestre a desistir de seu Sagrado Propósito (Mateus 16:21-23 e Marcos 8:31-33).

 

Uma dessas tentativas de interromper a ação do Cristo de Deus, quando de sua passagem entre nós, encerra o que os lógicos denominam “falácia não-formal da pergunta complexa”; a idéia básica é a de envolver a vítima em uma situação hábil e previamente preparada pela combinação de mais de uma pergunta em uma só, com a intenção de levar o interlocutor a confundir-se e responder rapidamente, sendo que as suas possíveis escolhas lhe serão sempre desfavoráveis ou até mesmo condenatórias. Esta passagem da vida de Jesus é descrita pelos evangelistas Mateus, Marcos e Lucas, e envolve a questão do tributo: o plano elaborado pelos fariseus consistia em formular a pergunta complexa a Jesus, na ocasião em que o Mestre falasse às multidões, sob a vigilância das autoridades governantes.

 

Na ocasião propícia, fizeram-lhe a pergunta: “É-nos lícito pagar ou não a César o tributo?”

 

Kardec considera no Capítulo XI, de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, que “... Havia nessa pergunta uma armadilha. Contavam os que a formularam poder, conforme a resposta, excitar contra ele a autoridade romana, ou os judeus dissidentes. Mas ‘Jesus, que lhes conhecia a malícia’, contornou a dificuldade, dando-lhes uma lição de justiça, com o dizer que a cada um seja dado o que lhe é devido.” (grifamos)

 

Este episódio reveste-se de muitos aspectos relevantes, a que devemos dar maior atenção: em primeiro lugar, enquanto os fariseus tiveram todo o tempo para elaborar a pergunta, Jesus deveria respondê-la de improviso e, em segundo lugar, enquanto os fariseus podiam sofismar na formulação da pergunta, a resposta de Jesus deveria ser obrigatoriamente verdadeira, ou Ele se contradiria, e a condenação viria da mesma forma, com o agravamento de invalidar os seus ensinamentos, que eram, são e serão, sempre, “a expressão da Verdade imutável, que como tal permanecerá, até mesmo após a extinção dos mundos.” (Mateus 24:35, Marcos 14:31 e Lucas 21:33)

 

O aspecto mais relevante, porém, na resposta dada por Jesus aos fariseus, é destacado no apontamento de Kardec, que tomamos a liberdade de grifar: “dando-lhes uma lição de justiça”. Portanto, a resposta de Jesus, além de sair da armadilha em que tentaram enredá-lo com a pergunta complexa, encerra ainda mais um precioso ensinamento, de caráter geral e deduzido de uma situação particular: o “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”, por esta seqüência em que foi dito, requer que para “dar a Deus o que é de Deus” é justo que, antes, se dê “a César o que é de César”. De fato, como poderá habilitar-se o aprendiz do Evangelho ao conhecimento das realidades celestiais, se ainda não é capaz de cumprir fielmente as suas obrigações para com as coisas do mundo? Será lícito ao aprendiz do Evangelho cuidar dos interesses da vida espiritual, sem habilitar-se ao trabalho digno para adquirir os recursos que a vida material lhe exige? Poderá cumprir satisfatoriamente as suas obrigações junto aos Espíritos sofredores, mantendo-se o espírita-cristão indiferente ao sofrimento e à dor dos encarnados, que lhe comungam a existência física no dia-a-dia? Haverá justiça em acumular na inércia quaisquer recursos que poderiam ser movimentados em favor do bem comum?

 

Ao fazer a distinção entre os mundos de Deus e de César, o Senhor não lhes coloca uma barreira a separá-los, e de modo algum exclui a influência de Deus no mundo de César; ao contrário, demonstra, como sempre o fizera, a imprescindível necessidade da atuação Divina no mundo de César, para salvá-lo. Embora o mundo de César não seja o mundo de Deus, o mundo de César - como tudo o que existe - também pertence a Deus.

 

A nossa tarefa, sob a égide do Divino Mestre Jesus, e em concordância com a Doutrina Espírita, que professamos, consiste em transformar o mundo de César em mundo de Deus, a partir de nossa transformação definitiva em seres humanos evangelizados; aí, então, teremos consumado o Propósito Divino de “dar a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.”

 

Edil Reis