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“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.” (João 14, 6)

 

Em “O Consolador”, respondendo à pergunta 271, o Espírito Emmanuel diz que “... Até agora, a Humanidade recebeu a grande Revelação em três aspectos essenciais: Moisés trouxe a missão da Justiça; o Evangelho, a revelação insuperável do Amor, e o Espiritismo, em sua feição de Cristianismo redivivo, traz, por sua vez, a sublime tarefa da Verdade. No centro das três revelações encontra-se Jesus-Cristo, ...”

 

E Léon Denis, no livro “Depois da morte”, 14ª edição FEB, à página 72, também considera que “... O alvo a que tende cada um de nós e a sociedade inteira está claramente indicado. É o reinado do “Filho do homem”, do Cristo social, ou em outros termos, o reinado da Verdade, da Justiça e do Amor. ...”.

 

Compreende-se, assim, à luz da Doutrina Espírita, que no Evangelho, segundo João, no versículo 6 do capítulo 14, nosso Divino Mestre Jesus mostra-se como sendo a síntese das Revelações Divinas, conforme a recebemos no hemisfério ocidental, em seus três aspectos. Essa constatação leva-nos imediatamente à compreensão da perfeita unidade que há entre as três Revelações e do conseqüente planejamento com que foram transmitidas à Humanidade terrena, inclusive quanto à seqüência temporal em que deveriam aparecer, além de encerrar o conhecimento futuro de que a Terceira Revelação Divina seria no campo da Fé.

 

Caminho, Vida e Verdade, isto é, Justiça, Amor e Fé.

 

O Caminho é a trajetória espiritual dos filhos pródigos, que todos somos, em viagem de retorno à Casa Paterna. A Justiça Divina requer, como condição inalienável, o equilíbrio perfeito em todas as graduações evolutivas em que estagia a consciência humana, entre a responsabilidade e a liberdade, entre o dever e o direito, entre a Vida e a Verdade. O equilíbrio é o fiel perfeitamente verticalizado, no simbolismo da balança de dois suportes iguais. Por isso, havendo um Caminho a percorrer, a perfeição relativa exige-o retilíneo, conforme expressão do Espírito Bittencourt Sampaio, em “Jesus perante a Cristandade”, 5ª edição FEB, à página 150: “ ... que nunca se desviaram do reto caminho da justiça ...” porque gerado pelo deslocamento, no espaço e no tempo, daquele ponto único de equilíbrio, entre infinitos outros, não alinhados. Não pode o Espírito avançar somente em um aspecto, sem graves prejuízos para si mesmo. Não pode haver a liberdade sem a responsabilidade correspondente, nem se apoiará no direito à falta do dever que o habilite. Qualquer desvio terá que ser corrigido. Para que não se comprometa a Harmonia individual e coletiva. A dor é o mecanismo natural de reajuste. Um só é, portanto, o Caminho Retilíneo para Deus, que a Sua Justiça sanciona. Neste Caminho, a Vida e a Verdade crescem em perfeito equilíbrio. É a trajetória do Cristo, conforme nos ensina Emmanuel, na resposta à pergunta 277, de “O Consolador”, ao afirmar que “... O Eleito, porém, é aquele que se elevou para Deus em linha reta, sem as quedas que nos são comuns, sendo justo afirmar que o orbe terrestre só viu um eleito, que é Jesus-Cristo. ...”.

 

A Vida é a Caridade, é o Amor em ação. O Amor é a maior sublimidade da Vida: não há Vida, sem Amor; não há Amor, sem Vida. A Caridade é a condição única para o Espírito alcançar a salvação, isto é, a sua libertação dos ciclos reencarnatórios.

 

A Verdade é a Fé, que se adquire pela razão, pela análise dos fatos, não mais na ingênua condição de crer sem saber por que se crê, mas é a Fé verdadeira, a Fé que sabe, que conhece; é a Fé raciocinada, conforme o critério de Kardec.

 

No Caminho, na Verdade e na Vida, está o tríplice aspecto da Síntese Divina, em nosso Mestre Jesus realizada.

 

Primeiramente, a Justiça, na Revelação dos Dez Mandamentos, com Moisés; em seguida, o Amor-Caridade, na Revelação do Evangelho de Jesus, e, por último, a Fé raciocinada, a certeza racional, na Revelação Espírita - a Doutrina Consoladora, que Kardec codificou. Os Profetas, aos tempos de Moisés, e o Precursor - João Batista - antecipam a vinda de Jesus, e o próprio Jesus anuncia o advento do Consolador, configurando mais um aspecto que integra as três Revelações Divinas.

 

A unidade das Três Revelações Divinas continua igualmente expressa na inter-relação que apresentam: encontra-se no Capítulo I de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” a afirmação de Kardec sobre não ter vindo o Espiritismo destruir a lei cristã, porém cumpri-la, à semelhança do que dissera o Cristo com relação à lei de Deus, revelada a Moisés, nos Dez Mandamentos. Constata-se, ainda, que a máxima da Terceira Revelação, na Fé raciocinada, é o Amor: “Fora da Caridade não há salvação”, e a máxima da Segunda Revelação, no Amor, é a Justiça: “Ama o próximo como a ti mesmo”. Assim, a máxima da Terceira Revelação é a síntese da Segunda: Caridade! E a máxima da Segunda Revelação é a síntese da Primeira: Igualdade!

 

Essa inter-relação de integração e unidade entre as três Revelações Divinas pode também ser depreendida de outros ensinamentos Espíritas, como, por exemplo: Encontra-se inserida no Capítulo XI, de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” a mensagem “A fé e a caridade”, transmitida pelo Espírito protetor, que em determinado momento assim se expressa: “Disse-vos, não há muito, meus caros filhos, que a caridade, sem a fé, não basta para manter entre os homens uma ordem social capaz de os tornar felizes. Pudera ter dito que a caridade é impossível sem a fé.” E às páginas 83 e 84, do livro “Grandes e Pequenos Problemas”, na sua 4ª edição FEB, Angel Aguarod comenta: “... O princípio divino ... que há de conseguir equilibrar todos os sentimentos ... é o tão sabido preceito evangélico: ‘Não faças a outrem aquilo que não quererias te fizessem; faze, ao contrário, aos outros tudo o que consideres que, feito a ti, é justo. ... Procurando por este princípio ... conseguir-se-á a perfeita educação do sentimento de justiça ... e estabelecerá, progressivamente também, o reino de Deus na Terra, reino que significa a predominância do sentimento puro de justiça.’ ...” Ainda, à página 104, do livro “No oásis de Ismael”, de Francisco Thiesen, na 1ª edição FEB, está escrito: “ ... Nisto está toda a beleza do Cristianismo: não há falta sem punição, nem virtude sem prêmio. O Cristianismo é o arauto da lei divina que se cumpre através dos tempos, pela eternidade em fora. ...” (mensagem do Espírito Bittencourt)

 

Compreende-se, pois, à luz desses ensinamentos que, no tempo, a Fé consubstancia o Amor, e o Amor consolida a Justiça. Portanto, é a Fé o suporte do Amor-Caridade, e é o Amor-Caridade o suporte da Justiça.

 

Agir com a Sabedoria da Justiça, com integral acerto, portanto, consiste em saber distribuir o tesouro do tempo na aplicação dos recursos individuais, em concordância com os anseios coletivos do momento, visando ao maior benefício possível a todos, segundo as necessidades de cada um. Esta condição é a do Evangelho, que somente a prática do Amor, na Caridade sublime, permitirá alcançar.

 

Edil Reis