contato@cepacluziania.com.br
   R. Aloísio Gonçalves, nº289, Centro
   Luziânia-GO - Fone:(61) 3601-2788

“Então disse Maria: Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra.” (Lucas 1, 38)

 

Ao receber do Anjo Gabriel a anunciação de que fora escolhida pelo Senhor, para ser a mãe do Salvador da Humanidade terrena, Maria faz o sublime voto de fidelidade e de submissão à Vontade de Deus, colocando-se à sua disposição, para servi-lo incondicionalmente.

 

Em diálogo inesquecível com o Espírito Verdade, Kardec recebe d’Ele a revelação de sua missão como o Codificador da Doutrina Espírita, e a sua resposta, registrada na segunda parte de “Obras Póstumas”, no item “Minha missão”, é, textualmente:

 

“Senhor! pois que te dignaste lançar os olhos sobre mim para cumprimento dos teus desígnios, faça-se a tua vontade! Está nas tuas mãos a minha vida; dispõe do teu servo.”

 

Em ambos, Maria e Kardec, identifica-se o mesmo propósito: a renúncia incondicional ao personalismo, para servir a Deus, por amor, e humildemente, com o desassombro que somente os que conquistaram definitivamente a fé podem testemunhar, mantendo-se os mesmos e sempre fiéis colaboradores do Divino Mestre e meigo Jesus, que também já asseverara, em condição única, “fazer a vontade do Pai, e não a sua própria e particular vontade.” (João 5, 30).

 

Ratificando o valor da fé para o aprendiz da Doutrina da Verdade, ao responder à questão 354, de “O Consolador”, o Espírito Emmanuel reporta-se igualmente ao singular diálogo ocorrido entre Maria e o Anjo Gabriel, ou entre Kardec e o Espírito Verdade, considerando que a fé “... exprime a confiança que sabe enfrentar todas as lutas e problemas, com a luz divina no coração, e significa a humildade redentora que edifica no íntimo do espírito a disposição sincera do discípulo, relativamente ao ‘faça-se no escravo a vontade do Senhor. ‘...”. “A mesma referência ao exemplo de Maria, e a importância de que se reveste para o profitente espírita, é igualmente feita de modo significativo pelo Espírito Bittencourt, à página 52 de “No oásis de Ismael”, 1ª edição FEB, ao recomendar:”

 

“Trabalhai, pois, com os olhos postos na humildade de Maria, na sua renúncia e passividade, e com os corações aos eflúvios da caridade do Cristo de Deus, nosso Divino Mestre.” (grifamos)

 

Reafirmando a importância da conduta de Maria de Nazaré para os Espíritas, tomando-a como a excelência do exemplo humano de submissão à Vontade do Senhor, o Espírito Bittencourt Sampaio deixa registrado no livro “Do Calvário ao Apocalipse”, 4ª edição FEB, as seguintes exortações:

 

“... E, sempre, ó Mãe Santíssima, que a minha pobre alma evoca o teu nome sacrossanto, ouve o eco da frase sublime que disseste, quando em tua humilde choupana te anunciaram que ias ser Mãe sem ser Esposa! ‘Que se faça na escrava do Senhor a sua divina vontade! ’

 

Assim, também eu digo e aconselho Que se faça nas míseras criaturas a vontade do Senhor!”(à página 150)

“... Em verdade, quando bem compreenderdes, por exemplo, o dia de hoje (8 de Dezembro de 1906 - dia da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem), em que dito este trecho do meu humilde livro; quando fordes capazes de afrontar a opinião dos bárbaros e maldizentes, colocando o vosso Deus acima de todos os conceitos, como fez Maria; quando a vossa alma possuir essa virgindade sublime que nela se revelou, para dizer - faça-se em mim a vontade do meu Deus; quando o vosso espírito houver conseguido emancipar-se de todos os prejuízos, certamente, ó meus amados irmãos, conhecereis o reino de Jesus, fruindo a ventura de ver o novo Céu, a nova Terra de que falou João o Evangelista;...” (às páginas 252 e 253).

 

Registramos, ainda, na comovedora mensagem do Espírito Anália Franco, inscrita na lição 47 - “Prece à Mãe Santíssima”, do livro “Vozes do Grande Além”, a mesma referência ao diálogo ocorrido entre a Virgem Maria e o Anjo Gabriel:

 

“... E que todas nós, mulheres desencarnadas e encarnadas em serviço na Terra, possamos repetir, diante de Deus, cada dia a tua oração de suprema fidelidade:

_ “Senhor, eis aqui tua serva, cumpra-se em mim segundo a tua palavra.”

 

Maria, mãe de Jesus, é Espírito a quem a Humanidade terrena muito deve, cuja assistência amorosa remonta aos tempos que antecederam a vinda dos Capelinos para o nosso planeta, e já estava presente mesmo nos primórdios que possibilitaram o surgimento da espécie humana primitiva, conforme revela o Espírito Áureo, em “Universo e Vida”, 1ª edição FEB, à página 33:” ... Mas o amor sublime de excelsos Espíritos de Sírius não abandonou os antigos companheiros, e foi de lá, daquele orbe santificado, que vieram, desde os primórdios da Terra, para auxiliar voluntariamente ao Cristo Jesus, aqueles seres extraordinários que cercaram, no mundo, o Messias, como Ana e Simeão, Isabel e Zacarias, e principalmente o Carpinteiro José e a Santa Mãe Maria.”

 

Sua importância para todos nós do planeta Terra torna-se ainda mais significativa pelas considerações que faz o Espírito Áureo, no último parágrafo da página 34, do mesmo livro, quando encerra o Capítulo II dizendo:

 

“Jesus disse à esposa de Zebedeu que só se assentariam à sua direita e à sua esquerda, no Reino dos Céus, aqueles a quem o Pai havia reservado esses lugares, porque sabia que o Eterno já elegera para esses supremos ministérios o grande Batista e a magnânima Maria de Nazaré; o primeiro para reger, sob a sua crística supervisão, os problemas planetários da Justiça, e Ela para superintender, sob a sua soberana influência, as benevolências do Amor. Por isso, todos os decretos lavrados pelo Sublime Chanceler da Justiça somente são homologados pelo Cristo depois de examinados e instruídos pela Excelsa Advogada da Humanidade, a fim de que nunca falte, em qualquer processo de dor, as bênçãos compassivas da misericórdia e da esperança.”

 

São, talvez, os suicidas os Espíritos que melhor conheçam o poder, o alcance e a bênção desse amor, que consegue removê-los dos tenebrosos vales das sombras e, por esse amor de Maria, multiplicado no amor de todas as mães, podem eles renovar as suas esperanças com novas oportunidades reencarnatórias porque, enquanto o aborto é uma porta que se fecha para a renovação da vida, a reencarnação é a porta sempre aberta, para que essa mesma vida se renove e cresça para Deus. É que estando o Divino Mestre Jesus entre Deus e a Humanidade, entre a Humanidade e o Divino Mestre Jesus está Maria - a Mãe de todas as mães. Ou não teria Ele dito a Nicodemos: “Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” (João, 3, 3)

 

Assim, na condição humana, é o amor de Maria a maior expressão do Amor Divino.

 

Principalmente nós, os espíritas, pelo conhecimento que temos da reencarnação, na lei de causa e efeito, somos os que melhor podemos compreender a nossa responsabilidade diante do gesto de Maria e, por extensão, do mesmo gesto de Kardec, a quem, como discípulos, devemos procurar imitar.

 

Edil Reis