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São vários os motivos que nos levam a temer a morte. Entretanto, nenhum desses motivos sobrevive ao crivo da razão e do conhecimento que o Espiritismo nos traz. "instinto de preservação", presente em todos os animais, é um recurso da sabedoria divina, que os leva a afastar-se das situações que coloquem suas vidas em perigo. É a "Lei de Conservação", necessária para assegurar às criaturas o desempenho de suas missões terrenas.

 

Desde os estágios primitivos do homem, existe um sentimento inato do futuro, uma intuição de que a morte do corpo não é o fim de tudo. Entretanto, o temor da morte é providencial enquanto não há um esclarecimento suficiente sobre a vida futura. À medida que homem se torna um ser mais complexo, fatores psicológicos contribuem para exacerbar certos temores, muitas vezes de forma inconsciente ou ilógica, baseada em informações incompletas ou crenças falsas. Crendices seculares, ensinadas desde a infância, geração após geração, induzem o indivíduo ao medo do inferno e do sofrimento eterno que ali encontrará para os que não levarem uma vida virtuosa.

 

Como a virtude plena é algo que dificilmente se atinge numa única existência, a dedução que o fiel toma, para seu desgosto, é que o destino geral de quase todos que morrem é a dor infinita. O amor às coisas terrenas também alimenta o temor da morte, pois esta representa a perda das fontes dos prazeres mundanos (comida, bebida, sensualidade etc.). Da mesma forma, o sentimento de perda da estrutura existente na Terra (família, amigos, casa, sustento, proteção etc.) leva ao medo de morrer. No fundo, todos esses temores são fruto da ignorância. E o desconhecido é sempre algo atemorizante.

 

É muito comum ouvirmos lastimarem a morte de alguém: "Coitado! Morreu tão jovem!", como se o seu tempo de vida na Terra não lhe tivesse sido suficiente, e como se a vida no além não lhe fosse mais agradável. São idéias errôneas preconcebidas séculos afora. No intuito de se livrar das crendices e preconceitos, muitas vezes o homem cai no fosso do materialismo. A morte então lhe representa o fim de tudo: fim da existência, fim do ego, fim da individualidade. Um destino terrível para um ser pensante. A Doutrina Espírita trouxe, através de experiências incontestáveis, a dissipação dessas idéias errôneas, que perduraram por tanto tempo.

 

A certeza da continuidade da existência, da inteligência, da individualidade, das afinidades, das memórias, do reencontro com entes queridos que o precederam, tudo isso construiu um arcabouço de confiança e conscientização sobre o estado de coisas aqui e no além. Para eliminar o temor da morte, é necessário ao homem adotar a perspectiva espiritual sobre a vida, em contraposição à perspectiva material. Somos seres espirituais, e estamos temporariamente na vida material. Não se pode inverter essa visão. O Espírita não deve temer a morte. O Espiritismo "matou" a morte!

 

Não devemos temer a morte, mas isso não significa que devemos relaxar com os cuidados de nossa saúde e a preservação de nossa vida orgânica, pois nosso corpo biológico é uma "ferramenta de trabalho".

 

Conforme inúmeros relatos vindos dos amigos espirituais, a experiência de desencarne é mais prazerosa do que a de reencarne, pois nossa verdadeira pátria é a espiritual. Estamos aqui na Terra em missão de progresso e a morte é o nosso retorno para casa! Como espiritistas, não devemos temer a morte, mas cuidar para não desperdiçar a vida aqui.

 

O ser humano, dotado de raciocínio e discernimento, jamais deve cair no equívoco de temer excessivamente a perda da vida corporal.

 

No leito terminal, é bastante comum o doente ver parentes que desencarnaram muito antes dele, como um prelúdio da vida no plano espiritual.

 

Nesse estado de esgotamento da energia vital, os laços que prendem o espírito ao corpo já se encontram mais relaxados, de modo que as percepções espirituais ficam mais acentuadas e chegam ao ponto em que o paciente terminal, às vezes, tem dificuldade de distinguir os companheiros desencarnados dos encarnados à sua volta. São preparativos para uma transição mais suave.

 

Algumas vezes, os espíritas se vêem defrontados com situações nas quais são questionados naturalmente sobre a morte e, como seu "trato" com ela é muito mais natural, às vezes choca as pessoas.

 

O espírita deve ter uma postura natural sobre a morte. Entretanto, cabe a ele distinguir cada situação, devemos sempre respeitar a dor alheia. A esposa que chora junto ao caixão de seu esposo merece receber atenção e consolo, portanto, mesmo que tenhamos a convicção de que o momento daquele homem já havia chegado e que ele estará muito melhor no plano espiritual do que se permanecesse aqui entre nós, devemos respeitar o momento da esposa chorosa e não chocá-la com uma visão que lhe seja incompreensível. Nem todas as pessoas estão devidamente preparadas para encarar a realidade dos fatos e, assim, há que se ter discernimento para que nossas convicções não causem mais prejuízo do que auxílio.

 

O temor da morte vai desaparecendo a medida que o entendimento vai sedimentando.Esse receio existe na alma de muitos espíritas. Para evitarmos esse desapontamento no futuro, após o desencarne, o melhor a fazer é agir desde já.

 

Na questão 919 de O Livro dos Espíritos, Santo Agostinho evoca um mandamento de um filósofo grego: "Conhece-te a ti mesmo". A recomendação é que cada um de nós reserve um momento fixo para meditar sobre tudo que fizemos de certo ou errado em nosso dia. Se monitorarmos nosso progresso, nossas oportunidades aproveitadas ou desperdiçadas diariamente terão mais chances de alterar nosso rumo na vida. Uma existência terrena seguida dentro da lei divina é uma infalível receita para se chegar à felicidade após a morte.

 

Clovis Leite

Fontes: Evangelho Segundo o Espiritismo

O Livro dos Espíritos